LUSOFONIA

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Brasil 6 mil mortes e EUA 1200 pelas polícias mais violentas do mundo 19 Junho 2020

Todos já sabem quem é George Floyd. Poucos sabem quem é João Pedro. A atenção mediática sobre a brutalidade policial americana comparada com a brasileira é desproporcional: o balanço do Brasil é cinco vezes mais alto que o dos Estados Unidos.

Brasil 6 mil mortes e EUA 1200 pelas polícias mais violentas do mundo

O mundo emociona-se com a morte de George Floyd, vítima de violência policial no dia 25 último. O ativismo do Black Lives Matter — mesmo com todas as interrogações que suscita, em especial no debate sobre oportunismos versus oportunidade única para a mudança de mentalidade — está a unir a América que Trump dividiu. E repercutiu no mundo todo, com ativistas a apropriar-se da mensagem em países europeus e até no Japão.

Mas o mundo não foi informado, não sabe de João Pedro, de 14 anos, que a polícia matou na semana anterior enquanto brincava com os primos no terraço da casa dos tios, no complexo de favelas do Salgueiro, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio.

Vítima de um disparo da polícia que o atingiu nas costas, João Pedro foi — com a Ágatha Félix, de 8 anos, o Kauê Ribeiro dos Santos, de 12, e o Kauan Rosário, de 11 anos — a quarta criança morta este ano só no Rio e uma das seiscentas vítimas em menos de seis meses só no mesmo Estado.

"Estou aqui pelo amor de Deus"

João Pedro foi morto dentro de casa, quando as polícias Civil e Federal faziam uma operação no bairro para cumprir dois mandados de prisão. Segundo a versão oficial, "durante a ação, seguranças dos traficantes tentaram fugir pulando o muro de uma casa. Eles dispararam contra os policiais e arremessaram granadas na direção dos agentes. No local foram apreendidas granadas e uma pistola".

Enquanto os familiares e amigos de João Pedro, presentes no local, dizem que os agentes entraram na casa a disparar e balearam o rapazinho, a versão da polícia é de que houve confronto e o João Pedro foi atingido. Depois, ele foi levado até um helicóptero para ser socorrido, e a família, sem mais notícias, procurou por ele nos hospitais da região.

O seu corpo foi localizado na manhã seguinte no Instituto Médico-Legal de São Gonçalo, na área metropolitana do Rio.

O áudio que dirigiu à mãe regista as últimas palavras de João Pedro a dizer à polícia "Estou aqui pelo amor de Deus".

— -

Fontes: Globo/BBC/Le Monde/El País.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project