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Brasil-Angola: Bolsonaro pede a João Lourenço para proteger IURD 24 Julho 2020

O presidente brasileiro escreveu ao seu homólogo angolano uma carta em que denuncia "recentes invasões, agressões e expulsões de pastores da igreja em Angola". Na carta — datada do dia 11 e esta semana divulgada pelo filho Eduardo —, Jair Bolsononaro pede ao presidente João Lourenço que proteja os membros da IURD para "evitar que factos dessa ordem voltem a produzir-se".

Brasil-Angola: Bolsonaro pede a João Lourenço para proteger IURD

A Universal está há vinte e oito anos em Angola e tem vindo a crescer no segundo país lusófono mais populoso. A concorrência entre missionários brasileiros e religiosos angolanos tem também crescido e gerado conflitos, que mergulham a IURD em crise.

O conflito mais recente levou à intervenção da polícia no dia 11, quando angolanos descontentes com a gestão brasileira ocuparem templos. Na quinta-feira, a Procuradoria-Geral da República angolana anunciou que "está a trabalhar" no processo-crime que envolve pastores angolanos e brasileiros da IURD em Angola.

A tensão agudizou-se desde novembro quando num movimento sem precedentes, pastores angolanos da IURD-Igreja Universal do Reino de Deus anunciaram a ruptura com o fundador bispo Edir Macedo e com a demais liderança brasileira da igreja.

Os angolanos da IURD exigem a saída dos brasileiros da IURD-Angola que, segundo acusam, têm vindo a desviar recursos para o exterior, discriminar funcionários locais e a forçar os sacerdotes africanos a fazer vasectomias.

Esse comunicado da ruptura divulgado pela imprensa angolana em 28 de novembro, e repercutido nos principais media de referência internacionais, como a BBC, DW, disse representar os 330 pastores e bispos angolanos da Universal.

A IURD está desde 1992 em Angola, o segundo país lusófono mais populoso. Nestes quase trinta anos abriu mais de 230 templos e diz ter como fiéis 2,7% da população angolana.

Cisões de evangélicos, processos judiciais

O crescimento da IURD, segundo indicam alguns estudos, resulta também duma estratégia que passa por quebrar a concorrência. Uma sucessão de eventos que geram novas denominações evangélicas brasileiras indica isso.

Nos seus mais de quarenta anos, a saída de um líder evangélico e televangelista da IURD-Igreja Universal do Reino de Deus tem muitas vezes conduzido à fundação de uma nova igreja.

As dissensões também se encontram na matriz da IURD. A primeira foi em 1975, com o desentendimento entre dois "missionários" da Igreja Pentecostal Nova Vida, que resultou na fundação do Ministério da Cruzada para o Caminho Eterno.

A IURD é a nova denominação em 1977 criada por RR Soares que agrega o cunhado, Edir Macedo, vice-presidente. Três anos depois da fundação os cunhados desentendem-se e a IURD fica com Macedo enquanto RR Soares, logo no dia seguinte a cria, em 9 de junho de 1980, a IIGD-Igreja Internacional da Graça de Deus.

A IMPD-Igreja Mundial do Poder de Deus nasce em 1998, após mais uma cisão no seio da IURD. Muitas das ações da Justiça contra a IMPD têm começado com denúncias da IURD, pela voz da "bispa" Christiane Cardoso, uma das duas filhas do bispo Macedo, segundo reportagens da Blobo, da Revista Veja.
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Fontes: BBC/RFI/Angop. Foto (AP): Edir Macedo e Jair Bolsonaro. O fundador e líder da IURD explicitou apoio à candidatura de Bolsonaro. Dois filhos do presidente do Brasil, Carlos e Flávio filiaram-se respetivamente em 2019 e 2020 no partido Republicanos, cujo presidente é um bispo da igreja fundada por Edir Macedo.

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