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Brasil: Bolsonaro reforça negacionismo com recusa em sediar a Conferência do Clima no país 02 Dezembro 2018

A COP 25-Conferência do Clima organizada pelas Nações Unidas terá lugar em novembro de 2019. O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, reforça, no entanto, o negacionismo, com a recusa em sediar a Conferência do Clima no seu país.

Brasil:  Bolsonaro  reforça negacionismo com recusa em sediar a Conferência do Clima no país

Explica Rodrigo Medeiros, diretor da Conservation International: O Corredor Triplo A é uma iniciativa que posso dizer é quase o trabalho da vida do Antropólogo Martin Von Hildebrand, que fundou e preside a ONG colombiana Gaia Amazonas.

Basicamente a ideia é criar um grande corredor de proteção, incluindo áreas protegidas e terras indígenas, que vai dos Andes, passando pela Amazonia até a costa do Atlântico (daí no nome Triplo A - Andes, Amazônia, Atlântico).

Se com relação ao mérito é indiscutível que proteger essa região - o maior e mais sociobiodiverso trecho de floresta tropical do mundo - deve ser uma prioridade global e responsabilidade dos países onde se localiza, do ponto de vista da diplomacia internacional sua negociação tem sido um verdadeiro desastre.

O hoje ex-presidente Juan Manuel Santos, da Colômbia, foi convencido de que esse deveria ser o seu maior legado para o planeta depois do prémio Nobel e lançou essa ideia, em 2015, sem combinar adequadamente com nenhum dos países por onde o corredor passa, sobretudo o Brasil, onde maior parte desse corredor estaria assentado.

O Brasil vem rechaçando essa proposta desde então e virou problema de diplomacia sobretudo por questões importantes relacionadas a soberania e fronteiras. Isso praticamente na época matou a ideia desse corredor sair do papel, pelo menos com esse nome, já que o Brasil tem discutido recentemente com outros países propostas de ampliar os esforços de proteção de paisagens na região através de corredores. Eu acompanhei o tema em diversos momentos por que o mesmo é sempre discutido em fóruns internacionais, como no âmbito da Convenção da Biodiversidade e mesmo a Convenção do Clima e, acredito, que daí venha a confusão e desconhecimento do novo presidente e sua equipe. É fato que constantemente os defensores do triplo A usem como justificativa que sua criação beneficiaria muito a Convenção do Clima e, por consequência o Acordo de Paris, já que sua proteção ajudaria a reduzir o desmatamento, de longe, a maior fonte de emissões dos países da região. Mas isso em nada implica que haja qualquer coisa vinculante entre o Acordo de Paris e o triplo A - que ressalto, não existe formalmente e não passa de uma ideia por ora, mas que conta com o apoio e simpatia de várias organizações da sociedade civil e de povos indígenas. c portanto, tem muito mais a ver com a direção negacionista que nossa diplomacia internacional parece estar tomando com relação ao tema das mudanças climáticas do que qualquer teoria conspiratória relacionada a proteção da Amazônia.

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