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Brasil-Compra de voto nas Olimpíadas Rio’16: Nuzman, 81 anos, ex-presidente do COB condenado a c.31 anos de prisão 28 Novembro 2021

O ex-presidente do COB-Comité Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, de 81 anos, foi condenado a trinta anos, 11 meses e oito dias de prisão por corrupção nos Jogos Olímpicos de 2016. A sentença do juiz da 7ª Vara do tribunal do Rio de Janeiro exprobou "a ganância" que o motivou e arrastou o governador do Rio "prejudicando desastrosamente os cidadãos e a coletividade".

Brasil-Compra de voto nas Olimpíadas Rio’16: Nuzman, 81 anos, ex-presidente do COB condenado a c.31 anos de prisão

O antigo voleibolista — que representou o Brasil na estreia da modalidade nas Olimpíadas de 1964 — respondeu pelos crimes de corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O processo é resultado da Operação Unfair Play, que investigou a compra de votos para a escolha do Rio como sede dos Jogos e denunciou Nuzman em 2017 como intermediador no pagamento de subornos.

"Os motivos que levaram Carlos Nuzman à prática criminosa são altamente reprováveis", revelou-se "pessoa gananciosa" e "apesar de ter total conhecimento da natureza criminosa das suas atividades e da gravidade dos seus atos, utilizou sua função pública para praticar crimes", lê-se na sentença do juiz Marcelo Bretas.

Para o juiz, "as circunstâncias em que o detentor do alto cargo conquistado" o utilizou para fins ilícitos através de práticas corruptas, a envolver altas cifras, "revelam desprezo pelas instituições públicas".

O juiz exprobou também o réu pelo "crime de corrupção que contribui e favorece a ampliação e aprofundamento das práticas criminosas". As consequências são tanto mais negativas quanto têm vindo a "frustrar os interesses de toda a sociedade e a prejudicar desastrosamente os cidadãos e a coletividade, uma vez que reverbera sobre as finanças públicas e, consequentemente, sobre a qualidade de vida" da camada mais vulnerável da sociedade brasileira.

Outros co-réus

O MPF-Ministério Público Federal denunciou por corrupção passiva o governador do Estado do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, que está preso desde 2017. Também Gryner, o braço-direito de Nuzman está indiciado por corrupção passiva. O empresário Arthur Soares, o "Rei Arthur" — foragido desde 2017 em Miami —, tornou-se réu por corrupção ativa.

As notícias do Brasil referem ainda Lamine Diack, de 87 anos, como o corrompido com dois milhões de euros depositados na conta do filho Papa Diack, na Suíça.

Segundo fontes francesas, que são omissas sobre o Rio2016, Lamine Diack, presidente da IAFF-Associação Internacional des Federações de Atletismo e membro influente do COI-Comité Olímpico Internacional, foi condenado a quatro anos de prisão o ano passado por um tribunal de Paris nos escândalos da dopagem na Rússia e da escolha do Qatar2022. Mas dada a avançada idade não irá preso.

Segundo o MPF, citado pelas fontes brasileiras, o empresário Arthur Soares — detido em Miami em outubro de 2019 — a mando de Nuzman depositou US$2 milhões numa conta na Suíça, de modo a garantir o voto do senegalês Lamine Diack para o Brasil sediar as Olimpíadas.

A compra de votos, ainda segundo o MPF, foi intermediada por Nuzman e o seu braço-direito Gryner, que faziam parte da comissão organizadora carioca. Aliás, destacou-se que o Tribunal de Contas apontou ser "inusual" a acumulação de funções de Nuzman no COI e na CO-Rio 2016.

Fontes: Época/G1/France Foot/ICO.org. Foto: Glória do desporto brasileiro termina a carreira em desgraça e o nome tachado de corrupção, além de final de vida na prisão.

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