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Brasil: Conjugicida, deputada, evangélica, mãe de 55 filhos — Filhos presos, mãe tem imunidade parlamentar 27 Agosto 2020

A deputada federal Flordelis dos Santos de Souza foi esta semana (2ªfª, 24) apontada pelo Ministério Público como a mandante da execução do marido, com quem a também cantora gospel e pastora formava o "casal maravilha do evangelismo cristão". O executante fora um dos seus filhos, que contou com a ajuda de outros. Há um ano, o atirador confessou após ser detido durante o funeral do pai e levou à indiciação de mais dez pessoas. A mãe goza de imunidade parlamentar.

Brasil: Conjugicida, deputada, evangélica, mãe de 55 filhos — Filhos presos, mãe tem imunidade parlamentar

O homicídio do pastor evangélico Anderson do Carmo Souza, de 42 anos, aconteceu à entrada da casa, na madrugada de 16 de junho de 2019. A viúva de 58 anos, disse nas primeiras declarações à imprensa que o marido fora vítima num assalto à residência familiar em Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Dois dias depois, durante o enterro, a polícia deteve Lucas dos Santos do Carmo, de dezoito anos, um dos filhos adotivos do casal. Imagens de videovigilância mostravam-no no local e na hora errados.

Lucas dos Santos sob pressão confessou ter disparado a arma por ordem do irmão mais velho, Flávio Santos Rodrigues. O primeiro filho biológico de Flordelis foi adotado pelo pastor Anderson, com quem a então cantora evangélica se casou em 1994.

Em diversas entrevistas, Flordelis negou que um ou mais dos seus filhos estivesse envolvido no homicídio e insistia que o crime fora uma tentativa de assalto: "É nisso que eu acredito, que foi uma tentativa de assalto e que ele morreu defendendo a família".

Motivo: "discriminação financeira entre filhos

O verdadeiro motivo do conjugicídio — em que o executante disparou trinta tiros — foi "o tratamento preferencial" em termos financeiros que Flordelis dava aos "filhos favoritos", segundo as conclusões da investigação ontem divulgada.

Contradita-se assim a primeira versão dada por Flávio, de 38 anos, de que Anderson mantinha uma relação extraconjugal — como sugerido por sete dos tiros terem sido dirigidos à região pélvica — e que o crime fora para vingar essa traição.

Adotou um total de 51 crianças

Flordelis, que obteve o seu diploma de educadora de infância em 1979, chamou a atenção quando em 1994 adotou 37 crianças, catorze delas ainda bebés. Eram moradores de rua que haviam sobrevivido à Chacina da Candelária, executada por milícias, que incluíam agentes policiais.

Uma biografia laudatória diz que "no início desta sua jornada de caridade, acabou sendo perseguida por políticos, pessoas influentes e até pela polícia, que a consideravam uma sequestradora, por acolher crianças. Muitos a chamavam de louca e fanática, mas quanto mais a perseguiam, mais ela se dedicava a ajudar estas crianças".

Imagem altruista para obter riqueza

"A imagem altruísta só servia para obter riqueza e poder político", segundo aponta o responsável pela investigação.

Fontes: G1/BBC/Le Monde/Estadão.

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