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Brasil/Eleições: Lula para governar terá de tentar “quebrar” o centrão – senador 19 Outubro 2022

O senador do Partido dos Trabalhadores (PT) Humberto Costa afirmou à Lusa que Lula da Silva caso vença as eleições terá de quebrar o bloco do centram para procurar acordos num congresso cada vez mais ‘bolsonarista’.

Brasil/Eleições: Lula para governar terá de tentar “quebrar” o centrão – senador

Os candidatos do Partido Liberal (PL), de Jair Bolsonaro, nas eleições para o Congresso foram uma das grandes surpresas no dia 02 de outubro conseguindo eleger as maiores bancadas nas duas câmaras.

Terá pelo menos 13 senadores a partir de 2023 e 99 deputados da câmara baixa.

Em segundo lugar na câmara dos deputados ficou a federação PT-PCdoB-PV, com 80 deputados eleitos (PT com 68, PCdoB com seis e PV com seis). O PT é a quarta bancada no Senado, com oito representantes.

“Preocupa muito, ainda não paramos para fazer uma análise detalhada sobre isso porque estamos focados na eleição presidencial”, afirmou à agência Lusa, na cidade do Recife, o senador Humberto Costa eleito pelo estado de Pernambuco.

O senador do partido de Lula da Silva admite mesmo que “não será fácil uma governabilidade com esse desenho que a Câmara e o Senado adquiriram”.

Se somarmos os apoios partidos que Jair Bolsonaro recolheu para a sua candidatura á segunda volta, de acordo com a imprensa local, o bloco aliado reúne atualmente 194 deputados (37,8% do plenário) e 25 senadores (31%).

Por outro lado, dados compilados pelo jornal G1, demonstram que Lula da Silva poderá ter o apoio de 144 deputados (28% do plenário) e 16 senadores (19,75%).

A aposta terá de passar invariavelmente pela negociação com o chamado ‘centrão’, um conjunto de partidos políticos predominantemente de direita que usa da sua força em bloco na defesa dos seus próprios interesses.

“Vamos tentar quebrar essa unidade chamada de centrão, que é uma unidade de interesses”, explicou Humberto Costa.

O partido Podemos, União Brasil, MDB, PSD, PSDB possuem cerca de um terço da Câmara de deputados (175 deputados e cerca de metade do Senado (40 senadores). No total, 513 deputados e 81 senadores compõem as duas câmaras.

A ideia passa do PT passa por “negociar não com o centrão como um todo, mas os partidos que compõem o centrão individualmente”, disse, acrescentando que o foco será nos representantes do MDB e PSDB.

Na sua opinião, Lula já demonstrou enquanto Presidente do Brasil (2003-2010) que tem capacidade de negociar com os partidos e de fazer conceções.

“Na capacidade que o Presidente Lula demonstrou em mais de um governo em que ele também não tinha maioria absoluta”, sublinhou.

Afastada está a hipótese de conciliações e negociações com o partido de Bolsonaro: “Isso não é possível”, atirou o senador.

“Ainda que dentro do PL existam pessoas com quem a gente já se relacionou, mas hoje o PL é predominantemente um partido bolsonarista”, concluiu.

Mas por agora o objetivo é mesmo garantir a vitória de Lula da Silva, disse, e para isso o nordeste será fundamental para essa meta.

“O Objetivo passa agora por garantir 70% dos votos”, ou seja garantir mais dois milhões de votos na região que viu Lula nascer e que nunca o abandonou, um “nordeste por tudo o que vivenciou nos anos do Presidente Lula, por todas as mudanças que foram feitas”, afirmou o responsável.

Se somarmos todos os nove estados no Nordeste brasileiro o ex-chefe de Estado brasileiro garantiu 66,7% dos votos contra 27% do atual Presidente do país.

Foram mais de 12 milhões de votos de diferença que, mesmo com as derrotas no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste (Bolsonaro ganhou com mais de seis milhões de votos), fizeram com que Lula registasse cerca de mais de seis milhões de votos a nível nacional.

Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, Bolsonaro venceu com mais de 1,7 milhões de votos do que o ex-chefe de Estado brasileiro. “Só o Maranhão [Lula venceu com mais de 1,6 milhões de votos] cobre quase essa diferença”, disse, referindo-se a um dos nove estados que compõem o Nordeste.

Luiz Inácio Lula da Silva venceu a primeira volta das eleições com 48,4% dos votos e Jair Bolsonaro recebeu 43,2%, pelo que os dois candidatos terão de se enfrentar numa segunda volta marcada para 30 de outubro.

A Semana com Lusa

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