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Brasil: Investigação à ’rachadinha’ de Carlos Bolsonaro quebra sigilo bancário do ’02’ e outras famílias 05 Setembro 2021

A juiz do MP-RJ viajou até Juiz de Fora, a cerca de 500 km, para ouvir pessoas da lista de funcionários no gabinete de Carlos Bolsonaro entre 2001 e 2009. Em Minas Gerais, a cunhada da 2ª esposa de Bolsonaro negou que alguma vez tivesse trabalhado no gabinete: "Não trabalhei lá, não"; "Saí, logo entrei". Como ela, já foram encontrados por enquanto 26 ’fantasmas’ no esquema da ’rachadinha’ na ’Fantasmolândia’ governada pelos Bolsonaros, segundo a investigação do MPRJ-Ministério Público do Rio de Janeiro hoje divulgada.

Brasil: Investigação à ’rachadinha’ de Carlos Bolsonaro quebra sigilo bancário do ’02’ e outras famílias

A Justiça do Rio de Janeiro "quebrou os sigilos bancário e fiscal do vereador Carlos Bolsonaro" na investigação que apura a suposta prática da "rachadinha" no gabinete do parlamentar, foi revelado na sexta-feira, 3.

Carlos Bolsonaro, o zero-dois, tem desde 2018, tal como o zero-um Flávio, sido alvo de investigações no Ministério Público sobre irregularidades financeiras. Entre tais, a prática da "rachadinha", pelo qual um "assessor" ou outro funcionário-’fantasma’ transfere parte do seu salário (em torno dos 80%) ao parlamentar, através de um acordo pré-estabelecido ou como exigência para a função.

A Justiça apurou existir um universo paralelo, "Fantasmolândia", habitado por assessores e outros funcionários fantasmas. Por exemplo, pessoas que moravam em Minas Gerais, Estado a mais de 300 quilómetros do local de trabalho, a Câmara do Rio, eram dadas como funcionários, logo com obrigações diárias.

A investigação descobriu a repetição do apelido Valle. Sim, são familiares da Ana Cristina Siqueira Valle, a segunda esposa (entre 1998 e 2008) de Jair Bolsonaro e mãe do seu quarto filho, Renan. Foi também chefe de gabinete do enteado Carlos Bolsonaro de 2001 a 2008, desde o ano do primeiro mandato do zero-dois na Câmara de Vereadores do Rio até ao fim do casamento com Jair.

A que foi durante oito anos madrasta e chefe de gabinete do vereador Carlos é responsável pela entrada dos sete Siqueira e Valles. Com ela, ii) o irmão benjamim André residente a 180 km do Rio e que tinha apenas 17 anos quando entrou em janeiro de 2001; iii) o cunhado Gilmar casado com Andrea Valle e residente em Minas Gerais grande parte dos seus oito anos de "assessor" de Carlos Bolsonaro; iv) a referida Andrea Valle, entre 2006 e 2008; v) a esposa do irmão Alexandre Valle, Marta, residente em Juiz de Fora, Minas Gerais que castiçamente disse "Saí, logo entrei" a expressar a brevidade com que esteve no gabinete.

Siqueira é outro apelido repetido no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro: vi) Guilherme Henrique de Siqueira Hudson, primo de Ana Cristina; vii) Monique de Carvalho Moreira Hudson – casada com o irmão de Guilherme Henrique de Siqueira Hudson.

Entraram na câmara, por conta da madrasta e diretora de gabinete de Carlos Bolsonaro, entre 2001 e 2008 ainda: viii) Cileide Barbosa Mendes (ama do primeiro filho de Ana Cristina), em comissão de 2001 a 2009 em cargo que, segundo o MP, acumulou com o de sócia "laranja" (testa de ferro) de uma empresa pertencente ao 1º marido de Ana Cristina; ix) Adriana Teixeira da Silva Machado, sua sócia na empresa Valle Ana Consultoria e Serviços de Seguros Ltda, cuja mãe, Luci Teixeira da Silva, está na lista do gabinete janeiro de 2005 e agosto de 2007.

Seguem-se mais cinco núcleos. O da Família Góes, com Edir e a esposa sexagenários mais três filhos, a cunhada e a irmã "aposentadas" de Edir. Este militar reformado, em depoimento ao MP, disse que não era "obrigado a bater ponto na Câmara Municipal" e que desde 2008 a sua casa, 200 km distante "servia como um núcleo do gabinete do vereador. A sua função, dele e dos seus familiares, era "distribuir panfletos divulgando o mandato de Carlos Bolsonaro, e anotar demandas da população".

O núcleo da Família Martins formado por mãe e filha, Diva (que disse ao MP que a sua função era distribuir panfletos divulgando o mandato de Carlos em Nova Iguaçu, apesar de ele ser vereador na capital) até 2005 e Andrea entre 2005 e 2019. Segundo o MP, no registo de casamento de 2013, Andrea declarou ser "babá", sem mencionar o cargo público que exercia.

O núcleo da Família Gerbatim formado por Márcio da Silva Gerbatim – ex-marido de Márcia Aguiar, a atual esposa do Queiroz da "Rachadinha de Flávio Bolsonaro" (... : Queiroz é detido em casa de advogado no interior de SP e entregue à Justiça do Rio, 19.jun.020) — e pelo sobrinho Claudionor Gerbatim.

O núcleo da Família Fernandes formado por Jorge Luiz Fernandes – atual chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro, que embora nomeado logo após o início do primeiro mandato de Carlos, em 2001, somente em 2018 Jorge o cargo (!) —, a esposa Regina Célia e Juciara da Conceição Raimundo da Cunha, registada por por mais de 11 anos, entre agosto de 2007 e janeiro de 2019. O endereço que esta viúva, com um filho, declarou à Receita Federal é o mesmo de Jorge Luiz e Regina Célia, em seleto bairro fluminense. Mas de acordo com o MP, Juciara na verdade mora numa casa simples, num bairro da classe média-baixa.

O núcleo da Família Duarte formado por dois irmãos: José Carlos de Macedo Duarte – nomeado no gabinete entre 2001 e 2003, é responsável pela indicação da Família Góes — e Noélia de Macedo Duarte, por mais de 18 anos, entre 2001 e 2019.

Sete Bolsonaros na política

E por falar em núcleos, o dos Bolsonaros conta sete: o presidente Jair, o senador Flávio, o vereador Carlos, o deputado Eduardo, as ex Rogéria Dantas ex-Bolsonaro e Ana Cristina Valle ex-Bolsonaro, ambas vereadoras, o vogal da embrionária ApB, Renan Bolsonaro.

O pai, os quatro filhos "homem", as duas ex-mulheres Rogéria e Cristina que como políticas deixam os sobrenomes habituais e assumem a marca ’Bolsonaro’ .

O filho mais novo, o Renan, de 22 anos, desponta como embrionário político já que foi eleito vogal do (quase) novel partido ApB-Aliança pelo Brasil, fundado pelo clã e ainda por legalizar (Bolsonaro lança ’Aliança pelo Brasil’ partido ainda sem legalizar, 25.nov.019; Eleições 2020: Carlos Bolsonaro e mãe Rogéria revezam-se na Câmara do Rio em prol de Jair, o 1º de 7 na política, 14.fev.020).

Raspadinha — Bolsonaro e Queiroz

A "raspadinha", não se sabe se da autoria individual se a quatro mãos entre Bolsonaro e Queiroz, terá segundo o MP-RJ sido criada no primeiro mandato do deputado federal Jair Bolsonaro em 1992.

A sua importância na história pública do Brasil — criada no núcleo Bolsonaro, estende tentáculos por outros núcleos da política brasileira entre Brasília e Rio de Janeiro— pode ser entrevista nos seguintes artigos: ’Queima de arquivo’ poderá estar por trás da morte do ex-capitão Nóbrega ligado a Flávio Bolsonaro no caso "rachadinha", 10.fev.020; Brasil: piorou de 96º para 105º no Ranking da Corrupção — "Rachadinha" de Flávio Bolsonaro já repercutiu, 16.fev.020; Mandados da Justiça contra Queiroz ligado aos Bolsonaros — Flávio voltou a ser investigado, 21.dez.019; Gilmar Mendes defere pedido de Flávio Bolsonaro para parar investigações do ’processo Queiroz’, 02.out.019;

Fontes: Globo/Recorde/g1.globo.com/... Relacionado: Brasil: Carlos e Flávio Bolsonaro e agora Flordelis suspeitos de ’rachadinha’, 15.dez.020; Marielle Franco: Miliciano mandante do crime é capturado, após delação premiada de ex-viúva de capitão Nóbrega, 04.ago.021. Foto: Rogéria Nantes Braga, na política Rogéria Bolsonaro, com o filho secundogénito Carlos.

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