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Brasil: Morte de vereadora do Rio repercute-se na imprensa internacional e Temer é criticado 16 Mar�o 2018

A vereadora Marielle Franco, 38 anos, e o motorista Anderson Gomes morreram atingidos por nove disparos, na noite de quarta-feira, 14, no centro do Rio. Jornais como o Washington Post, o NY Times e o Le Monde dão destaque à denúncia que ela na véspera fez da intervenção militar no Rio — uma medida do Presidente Temer, entre aplausos e ataques intensos.

Brasil: Morte de vereadora do Rio repercute-se na imprensa internacional e Temer é criticado

A socióloga e mestre em administração pública era conhecida pelo seu ativismo em prol das “minorias sociais” e estas fizeram dela a vereadora, a 5ª mais votada nas últimas eleições municipais do Rio, e a 2ª mais votada do Partido Socialismo e Liberdade.

A sua ação interventiva reveladora duma grande combatividade vinha da sua própria experiência de moradora na favela da Maré, como ela lembrou durante a sua última intervenção pública, na Roda de conversa Mulheres Negras Movendo Estruturas.

Neste evento, que decorreu entre as sete e as nove e tal da noite, exortou as mulheres presentes a aproveitar as conquistas na educação: "Sou fruto do pré-vestibular comunitário", disse a vereadora na última palestra que deu, transmitida ao vivo no Facebook.

PR Temer: “verdadeiro atentado ao estado de direito e à democracia"

O presidente Michel Temer afirmou nesta 5ª feira, 15, que o assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes, na noite de ontem é um "verdadeiro atentado ao Estado de direito e à democracia".

Porém, o PSOL critica-o por ter demorado mais de doze horas a pronunciar-se e ainda porque, "está a usar a morte de Marielle para justificar a sua política que quer acabar com a democracia no Brasil".

Temer continuou: "Por isso, aliás, decretamos a intervenção" no Rio "para acabar com esse banditismo desenfreado que se instalou na cidade por força das organizações criminosas".

Muitos contestam a afirmação em que, antes de prestar solidariedade aos familiares de Marielle e de Anderson Gomes, o presidente atribuiu o crime a quadrilhas e organizações "Essas quadrilhas organizadas, essas organizações criminosas não matarão nosso futuro", disse. "Nós destruiremos o banditismo antes".

Morte de Marielle é “símbolo de que não precisamos de intervenção militar, pois ela não acaba com a violência“

A afirmação é da deputada Alice Portugal, do PCdoB/BA, durante o encontro Interparlamentar do Fórum Social Mundial em Salvador, Bahia. Ela exortou os presentes a "protestar contra a repugnante execução desta jovem vereadora. Marielle lutava nas favelas e nos bairros mais pobres, contra a violência do tráfico e das milícias. Ela teve a coragem de levantar essa temática da luta da mulher negra, que é a primeira a ser atingida pela crise e pela violência. Vamos exigir a imediata e profunda apuração sobre a morte da vereadora, que é um símbolo de que não precisamos de intervenção militar, pois ela não acaba com a violência. Precisamos sim de intervenção social”, concluiu.

Fontes: Le Monde/El País/ Globo/e outras referidas. Fotos: 1. Marielle, no FB. 2. Inforgrama, no Globo: A 3ª pessoa no carro era a assessora Chaves, que ficou ligeiramente ferida com estilhaços de vidros. 3. Getty Images: o teleférico do Complexo do Alemão segundo os moradores "deslumbrou os turistas e só funcionou durante o Rio ’16" (El País). 4. site da União Europeia: Eurodeputados com cartazes pedem apuramento imediato de responsabilidades e justiça para Marielle.

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