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Brasil: Luto nacional por Olavo de Carvalho mentor de Bolsonaro 26 Janeiro 2022

A notícia começou por destacar-se a partir do ’tweet’ hoje do presidente Bolsonaro a lamentar a morte do amigo Olavo de Carvalho, um dos maiores pensadores da história” do Brasil e por quem decreto um dia de lto nacional. O escritor e filósofo-astrólogo tido como o "guru" do bolsonarismo — segundo a BBC " o ’parteiro’ da nova direita que diz ter dado à luz flores e lacraias" — faleceu aos 74 anos na segunda-feira, 24 nos Estados Unidos onde residia desde 2005.

Brasil: Luto nacional por Olavo de Carvalho mentor de Bolsonaro

A família divulgou, pelas redes sociais, o falecimento, ocorrido num hospital de Richmond, Virgínia, oito dias depois de Olavo de Carvalho ser diagnosticado com a doença do coronavírus.

A imprensa brasileira e a norte-americana destacam, ao longo desta terça-feira, o facto de que Olavo de Carvalho negava a real gravidade da pandemia — do "vírus chinês" para "acovardar o povo" — e era crítico da vacinação e das medidas básicas de combate à Covid-19.

O astrólogo morreu de causa não revelada após teste positivo da Covid.

Polémicas

Nas redes sociais, os seus alvos são a imprensa, os círculos culturais e a universidade. Critica-os como espaços influenciados por movimentos progressistas responsáveis pela sua deterioração. "Tornaram-se apenas em campos de burocracia e de rituais de doutrinação".

Em 2019 foi condenado na justiça a pagar uma dívida milionária a Caetano Veloso, que acusou, em 2017, de ser pedófilo. O cantor admitiu ter-se relacionado com a esposa desde os treze anos dela e ele quarentão.

Em 2020, a UOL voltava ao assunto: "Caetano Veloso cobra dívida milionária de Olavo de Carvalho por descumprir decisão judicial".

Desconhece-se se de facto houve pagamento. Olavo de Carvalho também condenado a pagar por difamação em vários processos, em que como editor e escritor foi condenado, nunca pagou.

Calão baixo

O filósofo que nunca completou o ensino superior formal nem deu aulas formais — lecionou, em instituições privadas, seminários sobre temas como astrologia e orientação pela metafísica — caraterizou-se pelos ataques às institições culturais e universidade pública. Nunca hesitou, tal como Bolsonaro, no uso de linguagem disfémica, de baixo calão.

No segundo ano do mandato de Bolsonaro, expressou-se contra os integrantes do elenco do presidente. Considerou-os nocivos para a missão de Bolsonaro que devia descartar-se deles, como se faz às "pústulas" [feridas com pus], escreveu nas redes sociais.

"Jamais gostei da ideia de meus alunos ocuparem cargos no governo, mas, como eles se entusiasmaram com a ascensão do Bolsonaro e imaginaram que em determinados postos poderiam fazer algo de bom pelo país, achei cruel destruir essa ilusão num primeiro momento. Mas agora já não posso me calar mais. Todos os meus alunos que ocupam cargos no governo — umas poucas dezenas, creio eu — deveriam, no meu entender, abandoná-los o mais cedo possível e voltar à sua vida de estudos", escreveu Carvalho em mensagem na sua página oficial no Facebook (também no Twitter, "num perfil não verificado").

Fontes: AP/Globo/UOL. Foto: Jantar de bolsonaristas: Olavo de Carvalho, Bolsonaro, Paulo Guedes, etc.

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