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Brasil: 519 "peças sequestradas" de 1889 a 1945 devolvidas no Dia da Consciência Negra— 27 Novembro 2020

O Dia da Consciência Negra celebrado na sexta-feira, 20, teve sabor a vitória para o movimento que há três décadas luta para recuperar a coleção com mais de quinhentas peças da cultura afro-brasileira apreendidas ao longo de mais de sete decénios.

Brasil: 519

A coleção é constituída por quinhentas e dezanove peças — desde atabaques, colares, chapéus e roupas até animais taxidermizados, cruzes e imagens de santos — que a Polícia apreendeu em terreiros de candomblé e umbanda no Rio de Janeiro, como instrumentos para a "prática do espiritismo, da magia e seus sortilégios", proibida por lei.

O código penal vigente nesses setenta e seis anos — da Primeira República à Era Vargas — criminalizava com várias sanções, incluindo a pena de prisão, as manifestações culturais de matriz africana, incluindo o samba e a capoeira.

Os objetos foram parar ao Museu da Polícia Civil do Rio, onde compunham uma coleção pejorativamente batizada de "magia negra", e lá ficaram quase 100 anos esquecidos — mas não pelos seus donos.

"Terreiros são polos de consciência negra"

"A população de terreiro sempre soube dessas peças, sequestradas a partir da violência do Estado. É uma história muito dura que a gente viveu", diz o babalorixá Adaílton Moreira, do respeitado terreiro de candomblé Ilê Omijuarô, localizado em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense.

O líder cultural — que é filho e sucessor da respeitada Mãe Beata de Iemanjá, Beatriz Moreira da Costa (1931-2017) — integra o grupo que há trinta anos tem vindo a reclamar a devolução dos objetos sagrados. Adaílton Moreira (à esqª na foto) tem-se destacado ainda pela denúncia do descaso de autoridades ante ataques de traficantes a terreiros de candomblé.

Dia Nacional da Consciência Negra

O Dia Nacional da Consciência Negra é desde 2003 celebrado, no Brasil, em 20 de novembro. A data foi escolhida em memória dum resistente contra a escravatura: Zumbi dos Palmares, falecido em 20 de novembro de 1695.

A efeméride começou por ser incluída no calendário escolar, até ser oficialmente instituída como feriado nacional. Note-se que apesar de ser feriado nacional, a sua celebração depende da vontade dos Estados e municípios do Brasil.

Fontes: AFP/UOL/BBC. Fotos: Líderes religiosos entram com peças devolvidas, que passam ao acervo do Museu da República, no Rio. Ao alto, a Mãe Beata de Iemanjá entrevistada pela AFP em maio de 2017, onze dias antes de falecer.

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