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Brasil-Bruno e Dom: Desfecho trágico, despedida com amor e busca por justiça 17 Junho 2022

Esta quinta-feira, horas depois da descoberta em Atalaia do Norte, no Amazonas dos restos mortais dos ambientalistas Bruno e Dom — assassinados e desmembrados segundo confessou Amarildo ’Pelado’ —, a viúva Alessandra Sampaio disse em conferência de imprensa: "Este desfecho trágico põe um fim à angústia de não saber o paradeiro de Dom e Bruno. Agora podemos levá-los para casa e nos despedir com amor. Hoje, se inicia também nossa jornada em busca por justiça. Espero que as investigações esgotem todas as possibilidades e tragam respostas definitivas, com todos os desdobramentos pertinentes, o mais rapidamente possível".

Brasil-Bruno e Dom: Desfecho trágico, despedida com amor e busca por justiça

O avião com os restos mortais encontrados no local das buscas ao antropólogo indigenista Bruno Araújo Pereira e ao jornalista inglês Dom Phillips tinha chegada prevista à Brasília na noite desta quinta-feira, às 19h30 (mais 2 H em Cabo Verde), onde serão autopsiados no Instituto de Criminalística.

Esta quarta-feira, o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Fontes, anunciou que os restos mortais dos dois desaparecidos desde dia 5 foram encontrados enterrados no local indicado por Amarildo "Pelado" Costa Oliveira, que confessou o crime.

A atenção mediática sobre o caso dos dois desaparecidos levou à difusão precipitada de informações, como a da embaixada brasileira em Londres que teve de pedir desculpas por ter telefonado ao irmão do jornalista Phillips na terça-feira a notificar sobre o achamento dos dois corpos.

Também precipitada foi a tese do não-homicídio avançada pela PF, na terça-feira — sugerindo que podia tratar-se de um acidente ou outra causa da morte.

Detenções

A Polícia Federal anunciou a detenção na 6ª fª, 9, do armador de pesca Amarildo Costa apontado como líder de uma rede que explora ilegalmente as riquezas da fauna amazónica.

A PF deteve na 3ª fª, 14 o irmão de Amarildo, Oseney da Costa de Oliveira, de 41 anos, que segundo duas testemunhas esteve na zona onde foram vistos pela última vez Dom e Bruno no domingo, 5.

Mais suspeitos deverão vir a ser detidos e a PF avançou que tem elementos para determinar quem foi o mandante.

Pressões pela verdade e justiça

A impunidade que rodeia o assassinato dum outro ambientalista, Maciel dos Santos, de cuja morte o mesmo Amarildo ’Pelado’ é suspeito desde 2019, não deve repetir-se, dada a repercussão global do caso.

Houve manifestações em Brasília, Los Angeles — onde o presidente Bolsonaro participou na nona edição da Cimeira das Américas, de 6 a 10-6 — e em Londres a pedir ação para investigar o que aconteceu ao jornalista Dom Phillips, correspondente do The Guardian na América Latina, e o antropólogo brasileiro Bruno Araújo Pereira, responsável dos Assuntos Indígenas.

Familiares das vítimas vão, prevê-se, pressionar o Estado para obterem " respostas verdadeiras e concretas sobre o caso". Em uníssono com o que expresssaria nesta quinta-feira Alessandra Sampaio, também a antropóloga Beatriz Matos, casada om Bruno Pereira, que foi ouvida na Câmara parlamentar na terça-feira, expressou que "a maior exigência é que se tenham informações verdadeiras, oficiais, efetivas, e que a Presidência da República, em conjunto com seus ministérios, possa tomar providências sobre isso".

Erro da embaixada

"Estamos profundamente sentidos que a Embaixada tenha passado uma informação à família ontem que não se provou correta", lê-se no comunicado da embaixada liderada por Fred Arruda.

O jornal londrino publicara que o jornalista britânico Dom Phillips e o antropólogo indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira, desaparecidos há nove dias, tinham sido encontrados mortos "amarrrados a uma árvore" no Estado do Amazonas, na fronteira com o Peru e a Colômbia.

A Rede Globo também repetiu a notícia, desta vez com base no depoimento de Alessandra Sampaio — que tem aparecido em vídeos a chorar "por buscas pelo amor da minha vida", o britânico Dom. Segundo esta brasileira, a primeira comunicação que recebeu foi do cunhado a dizer, de Londres, sobre os dois corpos encontrados. Os desmentidos oficiais chegaram no dia seguinte.

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Fontes: Correio Braziliense/The Guardian/Globo/... Relacionado: Brasil: Ambientalistas Dom e Bruno desaparecidos na Amazónia — ONU critica lentidão nas buscas, 12.jun.022. Fotos: Manifestações em Brasília, Los Angeles (onde o presidente Bolsonaro participou na nona edição da Cimeira das Américas, de 6 a 10-6) e em Londres a pedir ação para investigar o que aconteceu ao jornalista Dom Phillips e o antropólogo brasileiro Bruno Araújo Pereira, responsável dos Assuntos Indígenas. Só ao 11º dia e com a confissão do suspeito a investigação pôde recuperar os restos mortais dos dois assassinados.

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