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Brasil: ’Queima de arquivo’ poderá estar por trás da morte do ex-capitão Nóbrega ligado a Flávio Bolsonaro no caso "rachadinha" 10 Fevereiro 2020

O ex-capitão Adriano da Nóbrega, acusado de comandar a mais antiga milícia do Rio de Janeiro e que andava foragido há mais de um ano, foi localizado e morto na madrugada deste domingo, 9, na Bahia. De acordo com a polícia, ele é chefe do Escritório do Crime, grupo de assassinos a soldo suspeitos no duplo homicídio da vereadora Marielle Franco e Anderson Gomes. Nóbrega fugiu quando estava a ser investigado sobre "a rachadinha", o crime financeiro que envolve Flávio Bolsonaro.

Brasil: ’Queima de arquivo’ poderá estar por trás da morte do ex-capitão Nóbrega ligado a Flávio Bolsonaro no caso

"Ele disse que seria morto, e que seria queima de arquivo", anunciou no mesmo dia o advogado de Adriano Nóbrega que refere as palavras do seu cliente ao contactá-lo "na terça ou quarta-feira, pela primeira vez", pois como foragido só o contactava através de familiares.

Foragido havia mais de um ano, o ex-polícia Militar era citado na investigação ao antigo gabinete do então deputado estadual, Flávio Bolsonaro, relativamente à prática da “rachadinha” — que consiste na devolução, a políticos, de salários por parte dos seus funcionários de gabinetes.

A ligação de Nóbrega a Flávio está, segundo a imprensa brasileira, documentada pelo menos desde 2003, ano em que o filho do presidente Jair Bolsonaro fez na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, uma homenagem ao polícia miliciano Adriano, então preso por homicídio.

Alegação de estar armado desmentida pela esposa

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, Adriano teria efetuado disparos com uma arma ao ser encontrado. Na troca de tiros, teria sido ferido e morreu num hospital da região.

Mas a alegação de estar armado — segundo a mesma fonte oficial, encontraram-no com uma pistola austríaca calibre 9mm e outras três armas — é desmentida pela esposa que através do advogado disse que o marido andava desarmado.

Suspeito de três homicídios, foi retirado em janeiro da lista dos mais procurados elaborada por Moro

Adriano da Nóbrega foi excluído, no final do mês ora findo, pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, da lista dos criminosos mais procurados do país.

A lista foi divulgada por Moro pelo Twitter, que citou "critérios técnicos", seguindo orientações de Jair Bolsonaro — que em 2005 expressou apoio a Nóbrega, então preso por homicídio.

Adriano, segundo investigações do Ministério Público, era amigo do ex-PM Fabrício Queiroz, ex-funcionário do gabinete de Flávio Bolsonaro. A mulher e a mãe de Adriano, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega e Raimunda Veras Magalhães, trabalharam no gabinete de Flávio. Daí, o Ministério Público suspeitar que um saque de R$ 202 mil das contas de ambas as familiares de Adriano teria sido entregue em mãos a Fabrício Queiroz, no esquema da "rachadinha".
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Fontes: Globo/Folha de São Paulo/Relacionado: Brasil: piorou de 96º para 105º no Ranking da Corrupção — "Rachadinha" de Flávio Bolsonaro já repercutiu, 16.fev.019; Brasil: Mandados da Justiça contra Queiroz ligado aos Bolsonaros — Flávio voltou a ser investigado, 21.dez.019; Gilmar Mendes defere pedido de Flávio Bolsonaro para parar investigações do ’processo Queiroz’, 02.out.019.

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