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Brasil: Socialista Guilherme Boulos dos ’Sem Teto’ entre os 100 Líderes Globais da ’Time’ 28 Fevereiro 2021

Guilherme Boulos, militante político desde os 15 anos, ganhou projeção nacional quando em 2018, aos 35-36 anos, concorreu à Presidência pelo PSOL-Partido Socialismo e Liberdade. O prestigiado prémio da ’Time’ dar-lhe-á a projeção internacional necessária para liderar a esquerda brasileira.

Brasil:  Socialista Guilherme Boulos dos ’Sem Teto’ entre os 100 Líderes Globais da ’Time’

"Após dois anos da controversa presidência de Jair Bolsonaro, a fragmentada esquerda brasileira tem tido dificuldade em se unir em torno de um líder" para desafiar a extrema-direita. Mas "Guilherme Boulos começou a mudar isso", justifica-se assim a seleção de Boulos dos ’Sem Teto’ para a lista dos 100 Líderes Globais da ’Time’.

O percurso militante de Guilherme Boulos, filho de um casal de médicos especialistas, começa aos quinze anos, como líder estudantil e militante do PCdoB. Em 2002, o MTST-Movimento dos Trabalhadores Sem Teto foi o primeiro grande teste na militância que Boulos abraçou.

No ano seguinte, 2003, ficou conhecido como participante e um dos coordenadores da ocupação de um terreno da Volkswagen, em São Bernardo do Campo.

A imprensa voltou a interessar-se por ele em 2014, ao fim de quase uma década "sumido" — em prol da formação universitária e começo de vida profisional, o casamenteo e filhos.

Boulos reemergiu nas contestações à Copa do Mundo que ia ter lugar entre 12 de junho e 13 de julho de 2014. Teve especial repercussão a ’Ocupação Copa do Povo’, realizada pelo MTST no início de maio. Em junho, um mês depois, tornou-se colunista semanal do site do Folha de S.Paulo, que ia assumir até 2017.

Em fevereiro de 2015, passou a integrar, junto com o deputado federal Jean Wyllys e a jornalista Laura Capriglione, o programa de debates Havana Connection, no portal UOL.

Como coordenador do MTST, teve várias detenções e respondeu por porcessos na justiça. A sua prisão em 17 de janeiro de 2017 teve grande repercussão internacional. As acusações eram de desobediência a ordem judicial e incitação à violência durante a ação de reintegração de posse de um terreno no distrito de São Mateus. Foi solto na noite do mesmo dia.

Candidato a prefeito até à segunda-volta

A candidatura de mais peso foi no ano passado. Disputou a prefeitura de São Paulo e chegou à segunda-volta contra o prefeito Bruno Covas, do PSDB. O candidato social-democrata acabou reeleito com 59,4% dos votos, contra 40,6% do candidato do PSOL.

"Um mês antes da primeira-volta da eleição, ele estava em quarto lugar como candidato de um partido minoritário, com apenas 10% dos votos esperados. Mas, ao conquistar os jovens e energizar eleitores desiludidos com a esquerda dominante do Partido dos Trabalhadores, Boulos derrotou o candidato preferido de Bolsonaro, entre outros, para chegar à segunda-volta", diz a Time.

Mesmo tendo perdido a eleição em São Paulo, a revista afirma que com "o desempenho surpreendente de Boulos na influente cidade", Boulos confirmou que é "uma figura ascendente na política brasileira e deu à esquerda um novo caminho a seguir".

Fontes: Time/UOL/DW.Relacionado: Brasil: 2ª volta das Municipais confirma chumbo a Bolsonaro, 01.dez.2020. Foto (Campanha 2018): O sisudo Boulos, conta-se, teve de sorrir e trocar a roupa para uma cor suave.

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