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Brasil: Variante do coronavírus do Amazonas está entre as três que preocupam cientistas 19 Janeiro 2021

Em reunião virtual na quinta-feira, 14, pela OMS-Organização Mundial da Saúde, cientistas 124 países, incluindo o Brasil, falaram do estado-de-arte do estudo sobre as mutações do coronavírus. Segundo a organização, "altos níveis de transmissão significam que nós devemos esperar o surgimento de mais variantes".

Brasil: Variante do coronavírus do Amazonas está entre as três que preocupam cientistas

A variante do coronavírus do Amazonas, primeiro identificada no Japão em quatro passageiros dum voo que saiu do Amazonas, está entre as três que preocupam os cientistas.

Desde que a primeira versão do Sars-Cov-2 apareceu na China, em dezembro de 2019, os cientistas já detetaram mais de oitocentas variantes em todo o mundo. Mas destas apenas três preocupam os cientistas: as que foram identificadas na África do Sul, no Reino Unido e, nesta semana, no Brasil, no Amazonas.

"Atualmente, as linhagens estão sendo uma preocupação". "As pessoas têm que tomar mais cuidado. Então, essa entrou no rol desse grupo menor de linhagem das quais os cientistas acham que deve ter uma preocupação especial", explicou a médica investigadora Ester Sabino, do Instituto de Medicina Tropical/ FMUSP.

Segundo a nota técnica da Fiocruz do Amazonas, a evolução partiu de uma linhagem que circulava a nível estadual desde abril do ano passado. Mas uma rápida taxa de mutação foi detectada entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021.

A preocupação dos cientistas é que a variante do Amazonas tem mutações parecidas com as encontradas nas outras duas, justamente nas espículas, ou spikes, a "chave" que o vírus usa para entrar nas células.

O coordenador dos pesquisadores que monitoram a evolução do Sars-Cov-2 diz que ainda é cedo para dizer que a linhagem brasileira também é mais contagiosa, mas explica que esse tipo de variante tende a prevalecer.

"O sentido de toda evolução, de qualquer espécie, é que a espécie tenha mais habilidade de passar os seus genes adiante. Para o vírus, isso vai estar representado justamente na transmissibilidade. Quanto mais transmissível ele for, mais esses genes que ele tem vão se distribuir. Então, está dentro daquilo que Darwin nos ensinou", explica Fernando Spilki, virologista e professor da Universidade Feevale/ RS.

Os cientistas lembram que as mutações dos vírus são globais. A linhagem do Amazonas poderia ter surgido em qualquer lugar do mundo. No entanto, variantes têm mais chance de aparecer nos lugares com mais casos da doença.

A matemática é simples: o vírus se espalha fazendo cópias dele mesmo – que, às vezes, não saem exatamente iguais ao original. É assim que acontece a mutação. Então, quanto mais pessoas o coronavírus consegue infectar, mais chances terá de evoluir.

A vacina é urgente para barrar esse processo, mas a transmissão de todas as variantes do coronavírus é igual, e as medidas de prevenção devem ser também.

"Quando você freia a disseminação do vírus, você também freia a evolução do vírus. E a gente faz isso como? Com medidas de distanciamento social, com lavagem das mãos e a utilização das máscaras. Com essas medidas, a gente consegue impedir tanto a infecção pelo vírus original quanto pela nova variante", segundo o pesquisador da Fiocruz Amazônia Felipe Naveca disse à Globo.

Fontes: Globo/BBC/Japan Times. Foto (Getty): Mônica Calazans, enfermeira de 54 anos é a primeira pessoa a receber a vacina anti-Covid no Brasil. Domingo, 17 foi um dia histórico para o Brasil, o segundo país com mais mortes pelo novo coronavírus. A aplicação da primeira dose da CoronaVac provocou uma troca de acusações entre o governador de São Paulo e o Ministro da Saúde.

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