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Brasil comove-se com morte de Simone no atentado de Nice — "Digam aos meus filhos que os amo" 01 Novembro 2020

"Digam aos meus filhos que os amo": foram as últimas palavras de Simone Barreto Silva (foto). A brasileira de 44 anos foi esfaqueada dentro da basílica ’Notre Dame’ de Nice, donde conseguiu fugir, e acabou por morrer no café mais próximo. Com o sacristão da igreja, que completaria 55 anos no dia seguinte, e uma mulher são três vítimas mortais do "ataque terrorista islâmico" que teve lugar no sul de França, na quinta-feira, 29.

Brasil comove-se com morte de Simone no atentado de Nice —

Simone Barreto Silva, natural de Salvador, Bahia, entrou para poucos minutos de oração na Basílica de Notre-Dame, em Nice, na França, antes do trabalho — num lar de idosos —, quando foi atacada por um homem armado com uma faca.

Mãe de três filhos, dois deles menores, Simone ainda conseguiu sair da igreja para pedir ajuda num café próximo, mas não sobreviveu.

Binacional, brasileira e francesa, Simone morava desde 1990 em França onde chegou aos catorze anos chamada pela sua irmã, Bárbara, que dirigia um grupo de dança, Oba Brasil.

Trinta anos depois, e a trabalhar como cuidadora de idosos, continuava com as suas irmãs Bárbara e Solange a promover projetos de matriz afro-brasileira no país, segundo informações do Consulado-Geral do Brasil em Nice.

As autoridades brasileiras expressaram comoção com a trágica morte da cidadã emigrante.

O prefeito de Salvador, ACM Neto, lamentou a perda. "Toda a minha solidariedade aos familiares da baiana Simone Barreto Silva, que nasceu no Lobato, no subúrbio de Salvador, e que lamentavelmente foi uma das vítimas do atentado terrorista ocorrido nesta quinta-feira, na Basílica de Notre-Dame, em Nice, na França. Fica a nossa imensa consternação diante desse crime bárbaro, condenado por todos os líderes mundiais, com os quais nos uniremos agora, na certeza de que o bom senso, a razão e a lucidez irão subjugar a irracionalidade, o fanatismo e a intolerância religiosa", escreveu no Twitter.

O governador da Bahia, Rui Costa, expressou-se também no Twitter. Disse estar "triste e indignado. "Atentado terrorista na França matou Simone Barreto, baiana de Salvador. Ataque covarde contra a liberdade. Que Deus conforte familiares e amigos de Simone e das outras vítimas deste crime bárbaro. Solidariedade à França e ao mundo que defende o amor e a paz".

Mãe de Brahim Issaoui: "Há 2 anos mudou"

Entrevistada pela AFP em casa na cidade de Sfax, Tunísia, a mãe dele diz-se "destroçada". Segundo contou Kmar, foi complicada a adolescência de Brahim, o único dos seus onze filhos que se meteu em sarilhos e chegou a usar bebidas alcoólicas e drogas.

"Eu dizia-lhe: ’Somos pobres e andas a deitar dinheiro fora?’. E ele respondia-me que Deus havia de lhe mostrar o bom caminho".

Aos 17 anos foi preso por ter esfaqueado um colega. Ao deixar a prisão há dois anos vinha mudado.

"Ele só fazia casa-trabalho [era mecânico numa oficina auto] e rezava o resto do tempo", afirmou a mãe enquanto segurava a foto do filho, que no início de outubro lhe telefonou a dizer que estava na Europa.

«Eu disse-lhe "Mas o que é que estás a fazer numa terra que não sabes a língua?"»

E dias depois, o choque maior: a polícia chega para interrogar a família porque Brahim está envolvido numa djihad e foi alvejado pela polícia após matar três pessoas num atentado terrorista. Incrédulos, os familiares do doravante djihadista dizem perante o que aconteceu: "Não é normal".

Alta tensão entre Macron e mundo muçulmano

As tensões diplomáticas estão ao rubro entre a França e vários países com maioria muçulmana, com destaque para a Turquia, depois que o presidente Emmanuel Macron reafirmou que "a França não se vergará ao fundamentalismo islâmico" e defendeu a publicação e discussão das caricaturas de Maomé como expressão dum dos valores fundamentais da sociedade francesa que é a liberdade de expressão.

Estas declarações de Macron — em defesa dos valores laicos e do direito de rir com a religião — estão a indignar o mundo islâmico, onde se multiplicam manifestações e também boicote à compra de produtos franceses.

Os 27 Estados-membros da União Europeia afirmaram a uma só voz na quinta-feira, 29 que "o terrível ataque na Catedral de Nice reforça a nossa determinação em manter a Europa unida contra o terrorismo". Prometem manter-se "unidos e firmes na solidariedade com a França, o povo francês e o seu Governo".

Fontes: Globo/ BFMTV/ AFP / Le Figaro/ Nice Matin. Relacionado: França: 3 morrem em ataque djihadista a basílica de Nice por "migrante" vindo da Tunísia, 30.out.020. Fotos (AFP): Basílica ’Notre Dame’ de Nice. Simone Barreto Silva, vítima fatal, deixa três filhos. Na Tunísia, a mãe do djihadista segura a foto do filho.

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