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Brasil decidirá sobre extradição de Jaime Saade —Pai de Nancy Mestre luta há 28 anos por justiça 30 Maio 2022

A justiça brasileira é agora o alvo de um último pedido por parte do arquiteto colombiano Martín Mestre que voltou esta semana a ser entrevistado na imprensa colombiana e brasileira enquanto aguarda que "os magistrados do Supremo do Brasil" revejam a extradição de Jaime Saade. "Espero, do fundo do meu coração, que seja feita justiça à Nancy Mestre assassinada aos 18 anos. Se ele for extraditado, poderei dizer que não vivi em vão. Meu Deus, eu preciso ver o assassino da minha filha na Colômbia, preso".

Brasil decidirá sobre extradição de Jaime Saade —Pai de Nancy Mestre luta há 28 anos por justiça

A polícia federal de Belo Horizonte comunicou, em 29 janeiro de 2020, a detenção do fugitivo colombiano sinalizado na lista vermelha da Interpol desde 1998. Entrevistado online, o pai de Nancy Mestre mostrou um novo alento na sua busca por justiça ao fim de 26 anos desde o dia em que perdeu a filha de 19 anos. O homicida era Jaime Enrique Saade Cormane, de 29 anos, amigo da adolescente e que horas antes a tinha ido buscar à casa para a festa do Réveillon, com hora marcada para o regresso.

A Nancy nunca mais regressou. Quando o pai foi à sua procura, já não a encontrou nem ao seu amigo, um jovem administrador de empresas, filho da alta burguesia colombiana. A mãe de Jaime contou que tinha havido um acidente e a adolescente fora levada ao hospital.

Martín Mestre ouviu, no hospital, o pai de Jaime a dizer-lhe que Nancy se suicidara. Em busca da verdade, a investigação policial provou que Nancy fora atingida com uma bala na cabeça que não podia resultar de uma ferida autoinfligida. Além disso, não havia pólvora nas suas mãos.

Em 31 de janeiro do ano passado, 26 anos depois dessa manhã trágica, Martín Mestre entrevistado na TV brasileira "implorava aos magistrados do Supremo do Brasil" que extraditassem o assassino, que além de violar e matar Nancy, tinha profanado o cadáver na tentativa de esconder o crime.

Saade fugiu da cidade de Brarranquilla no mesmo dia do crime, 1 de janeiro de 1994, como relatou o arquiteto Martín Mestre entrevistado na TV brasileira.

As fontes oficiais confirmaram que o fugitivo vivia no Brasil com documentos falsos emitidos em 1995. Saade assumiu no Brasil novo nome, recomeçou do zero como empresário de lavandarias e constituiu família. Em 1998 foi condenado a 27 anos in absentia na Colômbia.

Em outubro 2020, Saade detido havia oito meses — mais de 26 anos após o crime e fuga e 22 anos depois de ser fugitivo da justiça e estar sob alerta da Interpol — foi libertado. O Supremo do Brasil indeferiu, "pelo menos por agora", o pedido de extradição com um empate a dois votos.

Há oito meses, Martín Mestre voltou a suplicar justiça para a filha e dirigiu um apelo à polícia colombiana para que continuassem a procurar outros envolvidos no crime.

A decisão dos magistrados brasileiros foi dificultada pelo imbróglio jurídico que o caso acabou por constituir. Afinal, revelou-se que o fugitivo é cidadão brasileiro desde fevereiro de 2020 (após ser preso), com a formalização da união de 25 anos com uma cidadã brasileira com quem tem um filho de 24 anos e uma filha de 16.

Fontes: Interpol.org/Clarín/BBC.br. Fotos: A morte de Nancy dispersou a família Mestre (o pai Martín ficou em casa, a mãe mudou-se para a Espanha e o filho mais velho para os Estados Unidos). Fugitivo desde 1994, Jaime Saade (à esqª aos 29 anos e foto atual aos 57) foi descoberto em 2020 em Belo Horizonte a mais de sete mil quilómetros.

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