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Brasil divide-se sobre IVG a menina de 10 anos que tio violou 20 Agosto 2020

No domingo, 16, a ativista política Sara Winter (foto), líder do movimento armado ’300 do Brasil’, divulgou nas suas redes sociais o nome da menina e o endereço do hospital onde ia ser realizado o aborto autorizado pela Justiça. A violência sobre a criança de dez anos transformada em caso político, em que avulta a militante pró-Bolsonaro, revela como o Brasil está dividido.

Brasil divide-se sobre IVG a menina de 10 anos que tio violou

O crime sexual aconteceu em São Mateus, no Espírito Santo. Mas o procedimento clínico — autorizado pelo juiz — teve de ser feito noutro Estado, Pernambuco, por recusa dos médicos atemorizados diante da pressão pública conduzida por grupos extremistas como o de Sara Winter.

O percurso ativista de Sara "Winter" Giromini — que se iniciou em 2012 na extrema-esquerda e culminou em 2018 na extrema-direita — inclui uma passagem pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado por Damares Alves.

Ao deixar o cargo de coordenadora no fim do ano passado, a ativista disse que ia trabalhar como independente. A imprensa apurou que há dez meses que os seus rendimentos provêm "das palestras e publicações da sua agenda pró-bolsonarista".

O grupo ’300 do Brasil’ (foto, ao alto, dela armada) apresenta-se aliás como a "guarda pretoriana" de Bolsonaro acampada na Praça dos Três Poderes e disposta a — como indica o site Terra Brasil — "ucranizar o Brasil", ou seja, a promover uma guerra civil, similar à que enfrenta a Ucrânia desde 2014.

"Nunca fui tão hostilizado como agora"

Em entrevista à rádio Bandeirantes FM na segunda-feira, 17, o médico e diretor do Centro Integrado de Saúde, na capital pernambucana, Recife que acolheu a criança grávida afirmou que "nunca f[o]i tão hostilizado como agora, após realizar o aborto para interromper a gravidez da menina de 10 anos".

"Se a gestação não fosse interrompida, provavelmente a menina teria complicações por não ter o completo desenvolvimento do seu corpo". "Se nós não fizéssemos nada, o Estado brasileiro estaria conivente com a dor e a violência", afirmou o mesmo médico entrevistado pela Globo News.

Sobre as manifestações contra a realização do aborto — autorizado pelo juiz da Vara da Infância e da Juventude do município de residência da vítima —, o médico expressou "tristeza, pessoas que defendem a vida chamando a criança de assassina, querendo fazer justiça dessa forma, logo em uma maternidade que acolhe mulheres em risco, fazendo barulho em um hospital com 104 mulheres internadas. Nunca passei por nada parecido".

Crítico, o médico explicou que "a classe alta procura o aborto com maior frequência do que a classe desfavorecida. O Brasil é o país da hipocrisia. A defesa da vida é uma falácia. Se consideram que o embrião tem vida, deveriam estar nas portas das clínicas de reprodução humana, que descartam milhares de embriões", rematou.

Tio detido após dias de fuga entre 3 Estados

"Que sirva de lição para quem insiste em praticar um crime brutal, cruel e inaceitável dessa natureza", disse o governador do Espírito Santo, ao anunciar na manhã de terça-feira, 18, que o tio suspeito de estuprar e engravidar a menina de 10 anos foi preso pela Polícia Civil Estadual.

A detenção aconteceu no Estado de Minas Gerais, após o suspeito ter passado pela Bahia na sua fuga iniciada quando a verdade veio à tona com a hospitalização da menina. Ela relatou que era vítima desde os seis anos e o tio a mantinha em silêncio sob ameaça de morte.

Segundo o G1, o suspeito de 33 anos "foi indiciado por estupro de vulnerável e ameaça e estava foragido desde a última semana". O homem esteve preso desde 2011 por tráfico de drogas. A violência contra a sobrinha terá começado quando há mais de três anos foi libertado em regime semiaberto.

O secretário da Justiça disse em comunicado de imprensa que "no decorrer da prisão, sendo trazido ao Espírito Santo, ele confirmou aos policiais que aconteceu [o estupro] e disse que vai declarar tudo mais detalhadamente na presença do delegado".

Entretanto, a justiça tem de considerar a veracidade de um vídeo nas redes sociais em que o suspeito afirma que tanto ele como o avô e um outro tio da criança, todos a morar na mesma casa, têm de ser submetidos a testes de ADN para verificar a paternidade criminosa.

Fontes: TV Globo/G1. Fotos: A líder dos "300 do Brasil" Sara Giromini — que adotou o apelido da famosa Sarah Winter (1870–1944), uma socialite inglesa apoiante do Nazismo e membro da União dos Fascistas do Reino Unido — defende o uso de armas "por toda a gente de bem".

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