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Brasil é 4º em feminicídio — América Latina lidera top-25 mundial 08 Dezembro 2020

O julgamento de um professor e biólogo de 32 anos acusado de ter defenestrado a esposa, advogada de 29 anos, está a dominar a atualidade mediática do Brasil, onde segundo a ONU o feminicídio é um dos crimes mais frequentes. O país está no triste top-5 mundial liderado pela América Latina, seguindo-se a Europa e Ásia.

Estatísticas publicadas pelas Nações Unidas nos últimos dez anos têm mostrado a prevalência de crimes de feminicídio entre os países da América Latina, com El Salvador em primeiro lugar, seguido da Guatemala, Uruguai e Brasil.

Segundo estimativas da ONU e OMS, metade dos feminicídios ocorrem na região latino-americana. Em países como El Salvador, México, Colômbia as mulheres são apanhadas no meio de guerras de narcotraficantes. Em actos de vingança, cartéis rivais tomam como alvos as irmãs e esposas dos inimigos.

A Europa está representada no ranking onusiano, em relação com o feminicídio devido ao tráfico humano. Aqui, as vítimas são sobretudo mulheres do leste europeu.

Na Ásia, segundo as mesmas fontes, o Japão, Hong Kong e Coreia do Sul destacam-se porque embora sejam países com baixíssimas taxas de criminalidade violenta, os feminicídios contam para mais de metade do total de crimes de morte.

Na Ásia do sul e sudoeste destacam-se a Índia, o Paquistão, o Sri Lanka, Indonésia onde os feminícidios relacionam-se sobretudo com disputas devido ao dote (Índia) ou alegado "lavar da honra familiar" nos países de tradição islâmica.

As estatísticas sobre a África apresentam resultados contraditórios. Um recente estudo indica que a África do Sul é o único país do continente presente no grupo dos "25 mais" de feminicídios.

Cabo Verde e países vizinhos, incluindo o Senegal estão a cinzento por falta de dados.

Brasil: Caso Tatiane

Foi na madrugada de 22 de julho de 2018 que Luis Felipe Manvailer atirou a esposa Tatiane Spitzner pela varanda da sua casa no 4º andar de um prédio no centro de Guarapuava, Paraná, Estado do sul contíguo ao de São Paulo.

Segundo o Instituto Médico Legal, a malograda foi morta por "asfixia mecânica", causada por estrangulamento "e com sinais de crueldade". O suspeito do crime tinha sido detido pela polícia em outra cidade quando tentava fugir, horas depois de recuperar o cadáver da mulher morta e deixá-lo em casa. Imagens da câmara mostraram a brutal agressão de que foi vítima a Tatiane.

Este crime de feminicídio voltou na última semana a entrar na esfera mediática com a notícia de que o julgamento do suspeito, na quinta-feira, 3, foi adiado para fevereiro próximo devido ao contexto pandémico.

Entrevistado pela Rede Record, o suspeito de conjugicídio — "um doutor em biologia muito respeitado", segundo a Abril.br — voltou a repetir a tese da defesa que desde 2018 alega que ele é inocente e só fugiu por estar muito confuso depois de ver a mulher suicidar-se por defenestração.

Fontes: TV Recorde/unstats.un.org/Globo/outras... Fotos: Mapa global de Feminicídios. Foto do casal na Alemanha, onde estudaram durante três anos.

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