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"Brasil é ameaça para humanidade" — 1.972 mortes por Covid em 24h 11 Mar�o 2021

Mil novecentas e setenta e duas mortes num dia: é a pior marca de sempre desde o início da pandemia, no país que é o segundo mundial mais afetado em nº absoluto de óbitos, mais de 268 mil. O "Brasil é ameaça para humanidade", alerta epidemiologista da Fiocruz.

Ouvido pela AFP, o epidemiologista Jesem Orellana afirma que com mais de 11 milhões de infeções o Brasil "perdeu a luta para a Covid-19 lá atrás, em 2020, e não há a menor chance de reverter a situação catastrófica neste semestre".

A situação no Brasil é “muito preocupante”, disse na sexta-feira, o diretor-geral OMS-Organização Mundial da Saúde. Tedros Adhanom Ghebreyesus instou o governo federal a tomar medidas "agressivas" para interromper a transmissão.

"O Brasil deve levar esta luta muito a sério", disse Ghebreyesus. Também Mike Ryan, principal especialista em emergências da OMS, disse que "agora não é hora de o Brasil ou qualquer outro lugar relaxar".

"Achámos que já saímos disto. Não saímos", disse Ryan. "Países regredirão para um terceiro e um quarto surto se não tomarmos cuidado. A chegada da vacina traz esperança, mas não devemos achar que o pior já passou porque isso só faz o vírus espalhar-se mais", enfatizou.

Sistema de saúde à beira do colapso, variante temível

Preocupa especialmente especialistas e autoridades no exterior a variante de Manaus. Descoberta no fim de 2020, a estirpe chamada P.1 está associada ao novo ápice da pandemia, que fez inúmeros países restringirem a entrada de viajantes brasileiros.

O The New York Times, em reportagem na 6ª fª, considera a crise da Covid-19 no Brasil como um alerta para o mundo todo: "Nenhuma outra nação que sofreu um surto tão grande continua a registar um número recorde de mortes e um sistema de saúde à beira do colapso. Muitas outras nações duramente atingidas estão, pelo contrário, a tomar medidas em direção a uma aparente de normalidade”.

Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, também na semana passada, o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis pediu ao mundo que se "pronuncie com "veemência sobre os riscos que o Brasil representa" no combate à pandemia.

Bolsonaro mimimiza

O governo de Jair Bolsonaro alega que as medidas de isolamento impostas pelos governos estaduais e municipais prejudicam a economia. Na semana passada, o presidente afirmou que é preciso parar de "frescura" e "mimimi" em meio à pandemia e perguntou até quando as pessoas "vão ficar chorando" e chamou de "idiotas" os que pedem ao governo federal para ser mais ágil na compra de vacinas.

Ao longo da pandemia, Bolsonaro minimizou frequentemente os riscos do coronavírus, além de promover curas sem eficácia (Covid-19 e cloroquina: Sem base científica Bolsonaro decreta uso ampliado com autorização do paciente —, 22.maio.020).

Com o presidente a tentar sabotar iniciativas paralelas de vacinação lançadas em resposta à inércia do seu governo na área, a campanha vacinal ainda só chegou a 4% da população, com 8,6 milhões de brasileiros (4,1%) que receberam a primeira de duas doses de vacina, e menos de 3 milhões com vacinação completa.

Fontes: AFP/DW/ BBC. Fotos (AFP): A má gestão da crise de Covid no Brasil tem os cemitérios saturados. Seguidor de Trump que povo americano afastou, Bolsonaro irá seguir o mesmo caminho?

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