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Brasil sem derrubar barreira da raça — PR ‘mestiço de negro’ 1º e único na história 23 Novembro 2020

As imagens das televisões mais vistas aqui suscitaram-nos perguntas, que são mais retóricas que pedidos de resposta: Porque é que no Brasil não se derruba a barreira da raça? Quando é que o Brasil terá o seu Obama-negro-americano, quiçá mestiço ou decerto negro na nova reivindicação no Brasil? Perguntas diante do caso do João Alberto — negro morto à pancada pela polícia num espaço público. Sem reação dos cidadãos no local. O presidente Bolsonaro ficou em silêncio.

Brasil sem derrubar barreira da raça — PR ‘mestiço de negro’  1º e único na história

Perguntas que obrigaram contudo a fazer uma brevíssima reflexão panorâmica, em perspetiva de flashback (retrospetiva).

Veja-se: o primeiro presidente "negro" do Supremo Tribunal Federal, a mais alta instância da justiça do Brasil, era dado como prospetivo primeiro "negro" a chegar à presidência do Brasil (Joaquim Barbosa pode vir a ser o 1º Presidente "negro" eleito do Brasil, 24.abr.018) em quase dois séculos do país independente e século e meio da República.

Mas em maio de 2018 o pré-candidato desistiu. Porquê? A justificação não o era: disse que o fazia por decisão estritamente pessoal. Dois meses antes, dera-se o homicídio da vereadora Marielle Franco e muitos especularam sobre uma possível ligação. Mas respostas ainda não há.

O único PR ‘mestiço de negro’ no Brasil foi Nilo Peçanha que ascendeu da vice-presidência à presidência em 1909-10.

A classificação racial de Peçanha é variável. Ora negro ora mestiço, esse descendente de africanos decerto escravizados. Esse negro com maior ou menor "aparência antropossomaticamente europeia" – como disse de si próprio Teixeira Sousa, em 1996.

O casamento de Nilo Peçanha, pobre e "mulato" embora político promissor, com a aristocrata Anita foi um escândalo social. Ostracizados por uma parte dos familiares dela, o casal resistiu.

Nilo cumpriu a promessa de ascensão política: governador, ministro, vice-presidente, presidente da República.

Brasil do nosso imaginário

Gosto de Você, Brasil, cantou Jorge Barbosa. Uma declaração de amor incondicional do poeta que entreteve em cartas uma longa e frutífera correspondência com os modernistas brasileiros.

Na tradição oral, tecíamos de há séculos uma relação de amor e saudade com o Brasilão. Esse destino da emigração que raramente retornava porque o Brasil emulava a terra-mãe.

Era essa a explicação que as famílias davam sobre o tio, o ente querido que emigrara e não regressara. O Brasil tornara-se a nova pátria dos que deixaram a terra nhanhida.

A revelação nas ruas da cidade maravilhosa, na manhã seguinte à noite de peregrinação pelos espaços onde se prepara o Carnaval e que nos mostrou o Rio festeiro de todas as memórias.

Na manhã seguinte, perto de Copacabana, barraquinhas improvisadas de pau e papelão onde se vende de tudo que mata a fome.

Na manhã seguinte, a expressão fechada nos rostos de quem corre para o transporte, sai do ônibus. Prenúncio da hostilidade com que foi recebido o nosso pedido de orientação numa rua confluente entre um bairro seleto e um morro.

Na manhã seguinte, embatemos pois de frente com o duro quotidiano dos "crioulos", expressão nos antípodas do arquipélago nosso.

Fontes: Fotos: João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, morto à pancada por seguranças de supermercado. Talvez pela primeira vez no Brasil, a morte de um negro por brancos fez o país sair à rua. ’Racismo no Brasil está por todo o lado; eu mesma sou alvo’, diz ex-consulesa de França, Alexandra Loras.

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