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Brasil2022: Bolsonaro 23% atrás de Lula 49% — Descredibiliza voto eletrónico para adiar eleição 02 Agosto 2021

O presidente do país-continente, esse mundão que é o Brasil, minimiza as sondagens que dão Lula eleito na presidencial do próximo ano e sugere postergar o plebiscito de 2022 para garantir "eleições democráticas" — o que na sua gíria significa voto em papel. O voto eletrónico em vigor desde 1996, sem falha, é uma fonte de orgulho para os brasileiros. Mas a possibilidade de perder leva Bolsonaro a descredibilizar o sistema que o elegeu em 2018.

Brasil2022: Bolsonaro 23% atrás de Lula 49% — Descredibiliza voto eletrónico para adiar eleição

Na véspera, no próprio dia e no dia seguinte àquele em que recebeu pela primeira vez o presidente Jorge Carlos Fonseca (Cabo Verde é porta do Brasil para a África Ocidental, PR Bolsonaro, 31.jul.021), Bolsonaro prodigalizou duas novidades.

O chefe de Estado na quinta-feira, 29 fez na sede da presidência o seu habitual direto semanal das 19 horas e, pela primeira vez, convidou a imprensa com a promessa de que ia revelar uma "bomba".

As imagens que circulam mostram-no sentado à secretária (foto) na biblioteca do palácio da Alvorada, rodeado de familiares e de membros da presidência, como o diretor de gabinete Ciro Nogueira e o ministro dos Negócios Estrangeiros Carlos França. O seu ar é grave a acompanhar a seriedade do tema desta quinta-feira.

Ia apresentar, anunciou, nada mais nada menos que "a prova das fraudes eleitorais" cometidas nos escrutínios mais recentes. O tema era tão solene de gravidade como a apresentação vestimentária do presidente Bolsonaro.

Durante duas horas, o chefe de Estado fez uma cuidadosa exposição acompanhada de "elementos factuais" alegadamente comprovativos de que teria em 2018 vencido logo à primeira-volta.

Tese: Fraude eletrónica na primeira-volta em 2018

A apresentação é elaborada, com gráficos e fluxogramas, mas os "factos incontestáveis" não podem ser provados, como o próprio Bolsonaro acabou por admitir. "Não tem nenhuma forma de provar se as eleições foram ou não fraudulentas", admite.

A incongruência entre esses "factos incontestáveis" e esse "não pode provar" não perturba Bolsonaro, decidido que está a derrubar o voto eletrónico em vigor desde 1996, e voltar ao velho papel impresso.

É com essa base incoerente que o presidente avançou com a tese de que é o sistema de voto eletrónico em vigor desde 1996, que sustenta a fraude.

Segundo analisam politólogos, Bolsonaro também desgastado entre os evangélicos procurou na sua mais recente live motivar a militância desanimada com o Centrão.

Presidente sobre duas rodas

Na sexta-feira o motard Bolsonaro está num passeio com dois mil colegas de moto no município de Presidente Prudente, a 980 km da capital brasileira. O encontro foi proibido pelas autoridades sanitárias do Estado de São Paulo, a que pertence o município. Mas Bolsonaro age à Bolsonaro, diz a imprensa brasileira e também internacional.

Pelo voto impresso

No sábado, 31, em novo encontro com com um grande número de apoiantes em Brasília, Bolsonaro repete: "Nós queremos democracia, liberdade e eleições. Mas repito: eleições democráticas".

Jair Bolsonaro repete os argumentos que foram contraditados sobre a infiabilidade do voto eletrónico.

Em todos os encontros mais recentes em que a sua popularidade está em queda, Bolsonaro apresenta os mesmos argumentos. Exemplo: a inauditabilidade do voto eletrónico, que já foi contra-argumentado pelo TSE-Tribunal Supremo Eleitoral que já esclareceu que as urnas eletrónicas são auditáveis e prescindem de qualquer validação.

Fontes: UOL/Globo/Le Monde.... Fotos(capturas de ecrã): O habitual direto de quinta-feira, às 19 horas, no dia 29 convidou a imprensa. No dia 30, o presidente veste-se de motoqueiro.

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