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Brasileira beija em tribunal namorado que a tentou matar — "Sei que ele me ama" 31 Janeiro 2020

O julgamento do caso de tentativa de feminicídio em que Micheli Schlosser, de 25 anos, foi atingida por cinco tiros disparados pelo namorado, Lisandro Posselt, decorria quando se deu o insólito. A vítima disse que perdoava ao rei e pediu licença ao tribunal para o beijar. Mesmo sem autorização aconteceu o beijo, na terça-feira 28, uma hora antes de os membros do júri condenarem o réu a sete anos de prisão.

Brasileira beija em tribunal namorado que a tentou matar —

A jovem Micheli, vítima de múltiplos disparos pelo ex-namorado, defendeu o seu agressor durante a audiência, insistindo que era sua a culpa de ter sido alvejada e que o Lisandro já tinha "pago pelo erro", segundo noticiou o jornal Folha do Mate, depois reproduzido pelo Globo e outros media nacionais e internacionais.

Diante dos jurados Micheli disse em defesa de Lisandro: "Ele nunca tinha me agredido, sempre foi muito bom para mim e já pagou pelo erro dele". Ela decerto referia-se aos cinco meses em que ele esteve detido na penitenciária de Venâncio Aires, o mesmo município a 130 km de Porto Alegre, a capital do Estado.

"Eu falei muita coisa sem pensar, naquele dia. Eu disse que denunciaria ele por agressão e outras coisas. Mas ele nunca me agrediu antes. Eu não fico com homem que agride", disse Micheli ...surpreendentemente.

O réu que estava preso desde agosto, data da agressão, vai cumprir em regime semiaberto os sete anos – cinco pela tentativa de feminicídio e dois por porte ilegal de arma.

Mas dada a sobrelotação das penitenciárias no Brasil, o condenado não terá de voltar à prisão e cumprirá a condenação de forma mais benigna: usará a tornozeleira eletrónica.

O advogado Antônio Elpídio Fagundes disse que a defesa está satisfeita com a decisão. Ele ressaltou que os jurados acolheram o privilégio da violenta emoção, dispositivo que reduziu a pena. “O resultado foi muito bom, só recorreremos caso o Ministério Público também recorra.”

"Nunca vi algo assim antes"

O procurador do Ministério Público comentou, após o júri, que em alguns casos de violência doméstica é normal a vítima se colocar a favor do agressor. Porém, nunca tinha visto tal situação em um caso de tentativa de feminicídio. "Se fosse um caso de agressões mais leves, se ele (o réu) não tivesse atirado cinco vezes, muito menos acertado, eu até tentaria interpretar de uma outra forma", disse.

Segundo ele, o que chama atenção é a gravidade do caso. "O facto de ela chegar não só em plenária, mas também na audiência de instrução que ocorreu antes, a dizer que quer se casar com ele, que quer viver o resto de sua vida com um homem que tentou matá-la, surpreendeu a todos. Quando o juiz anunciou a sentença em regime semiaberto, ela aplaudiu. Nunca vi isto antes".

O magistrado argumentou ainda que houve circunstâncias do relacionamento que levaram até ao crime. "Era um quadro de ciúme doentio, de ambas as partes, e de violência. Ela teve uma sorte incrível. Apesar de ter sido atingida com cinco tiros, todos efetuados pelas costas, e de as balas ainda estarem alojadas no seu corpo, hoje está ilesa, sem sequer uma sequela".

Os tiros acertaram a cabeça, o braço esquerdo e as costas. Anteriormente ao facto, não havia nenhuma denúncia de violência contra o acusado na polícia embora tivesse havido ameaças dele de que a mataria e depois se suicidaria. Armas não faltavam na casa, como a polícia constatou logo após o crime: duas armas legalizadas para uso em campo de tiro e o revólver calibre 22 utilizado no crime, que estava em situação ilegal.

"O réu já pediu para que a polícia devolva estas armas. Mas eu vou pedir que, enquanto ele estiver cumprindo a pena, as armas continuem recolhidas", avançou o magistrado do Ministério Público.

Micheli explica-se

Em entrevistas, a jovem venancio-airense comenta o acontecido e continua a desculpar o seu agressor.

"Brigámos por causa de conversas que eu peguei no telefone celular dele. Daí discutimos, eu provoquei muito ele naquele dia e por isso ele disparou. Eu ameacei que iria denunciá-lo à polícia por estupro".

Sobre os cinco tiros da arma de fogo, diz: "Os tiros ainda estão alojados no meu corpo. Mas por sorte estou bem. No momento estou afastada do trabalho para minha recuperação.

Micheli admite que só vê o futuro com Lisandro: "Nós vamos conversar e se der tudo certo a gente vai voltar e tudo vai ser como antes. Eu amo ele e já o perdoei".

Fontes: Referidas/. Foto (Folha do Mate) que circulou logo no Brasil, antes de dar a volta ao mundo.

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