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Burkina-Faso/ Thomas Sankara: Julgamento dos presumíveis assassinos arranca hoje, 11.outº — Ex-PR Compaoré entre 13 acusados 11 Outubro 2021

Trinta e quatro anos após o assassinato do presidente burkinabê Thomas Sankara, o tribunal militar de Uagadugu inicia nesta segunda-feira, 11, o julgamento que tem como principais acusados o ex-presidente Blaise Compaoré, refugiado na Costa do Marfim, o general Gilbert Diendéré e mais onze militares.

Burkina-Faso/ Thomas Sankara: Julgamento dos presumíveis assassinos arranca hoje, 11.outº — Ex-PR Compaoré entre 13 acusados

Os treze acusados — entre os quais Compaoré, o sucessor de Sankara na presidência — respondem pelos crimes de "atentado à segurança do Estado", "cumplicidade de assassinatos" e "cumplicidade de ocultação de cadáveres".

Foi a 15 de outubro de 1987 que um grupo de militares sob o comando de Blaise Compaoré, o ministro da segurança assassinou o presidente Sankara — que em 1983 chegara ao poder também através dum golpe de Estado apoiado pelo "irmão de armas" Compaoré.

A morte de Sankara tornou-se um tema tabu durante os 27 anos de poder de Compaoré. Em 2014, uma insurreição popular levou à sua queda e fê-lo exilar-se no país vizinho onde obteve a nacionalidade marfinense. Ausente do julgamento iniciado esta segunda-feira 11, Compaoré será julgado por contumácia 34 anos depois.

O regime de transição democrática seguinte relançou a questão judicial. Em março de 2016, a justiça burkinabê emitiu um mandado de detenção contra o grupo de treze.

Em fevereiro de 2020, fez-se a primeira reconstituição do assassinato de Sankara no lugar do crime: a sede do CNR-Conselho Nacional da Revolução em Uagadugu.

Destaca-se ainda o general Diendéré que orientou o comando nesse 15 de outubro de 1987 e que está preso a cumprir uma pena de 20 anos de prisão pela tentativa de golpe de Estado no Burkina-Faso em 2015.

Biografia do pan-africanista

Thomas Isidore Noel Sankara (Yako, 21 de dezembro de 1949 — Uagadugu, 15 de outubro de 1987) : militar, revolucionário marxista, pan-africanista e líder político da República de Burkina-Faso.

Após a independência perante a França em 1960, o popular capitão ascendeu a primeiro-ministro quando o país ainda se chamava República do Alto Volta.

Ao tornar-se o quinto presidente voltense, promoveu a mudança do nome do país para Burkina-Faso, que se oficializou em 04 de agosto de 1984.

O seu ideal republicano expressava-o através dos objetivos da "revolução democrática e popular" com as tarefas de erradicar a corrupção, a luta contra a degradação ambiental, bem como, o empoderamento das mulheres, o desenvolvimento social através do acesso à educação e cuidados de saúde.

Segundo os seus biógrafos, o presidente Sankara implementou com sucesso programas que muito reduziram a mortalidade infantil, aumentaram as taxas de alfabetização e frequência escolar. Em coerência com a ideia expressa (na legenda da foto) de empoderamento das mulheres, aumentou o número de mulheres em cargos governamentais.

Também, segundo os seus biógrafos, o governo de Sankara tentou abolir os privilégios tribais e baniu as mutilações genitais, os casamentos forçados e a poligamia. Além disso, foi bem sucedido em promover campanhas pró-anticonceptivos e de vacinações infantis. Na frente ambiental, somente no primeiro ano de sua presidência, o esforço para combater a desertificação levou a plantar 10 milhões de árvores.

Nesse primeiro aniversário da revolução que o havia levado ao poder, o presidente mudou a bandeira, o hino e o nome de República do Alto Volta para Burkina-Faso —"terra de pessoas honestas (ou íntegras)" em mossi e diúla, línguas originárias mais faladas do país.

Ao longo dos seus quatro anos no poder, Sankara visou a autossuficiência económica do Burkina-Faso. Apesar dos grandes avanços obtidos, ergueu-se uma forte oposição interna contra a política externa independente e as políticas sociais progressistas do governo, segundo os estudiosos do fenómeno burkinabê.

Fontes: Le Monde/BBC/DW. Fotos: Thomas Sankara assassinado aos 37 anos. Com a esposa Mariam e os dois filhos.

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