OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

CABO VERDE e a CEDEAO 18 Dezembro 2017

Estranhei que a questão das dívidas fosse trazida para o debate público em Cabo Verde. Todos devem e muitos devem muitíssimo mais. E esse facto nunca os impediu de assumir a Presidência. Por outro lado, não entendi o lançamento de várias candidaturas internas, ainda antes da confirmação de que Cabo Verde teria chances de ganhar.

Por: José Maria Neves, ex-Primeiro-ministro

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CABO VERDE e a CEDEAO

1. Infelizmente, Cabo Verde não conseguiu a Presidência da CEDEAO. É uma pena. Seria muito importante para o país, do ponto de vista político-diplomático e do ponto de vista da nossa inserção competitiva na região oeste-africana.

2. Houve, nos últimos anos, grandes avanços institucionais e no processo de democratização da CEDEAO. Antes, por exemplo, só havia 7 Comissários, divididos entre os grandes. Na altura, em nome de Cabo Verde, propus que passasse para 15, de modo a que todos pudessem estar representados. Conseguimos. Por isso, o cabo-verdiano Isaías Barreto, escolhido via concurso, é Comissário para as Tecnologias Informacionais. Também propus, sempre em nome de Cabo Verde, que se estabelecesse o princípio da rotatividade e a ordem alfabética para a escolha do Presidente da Comissão. As primeiras discussões foram muito difíceis, mas lá conseguimos. Também conseguimos, sob proposta nossa, realizar, em Cabo Verde, Ilha do Sal, a Cimeira CEDEAO-Brasil, e com um forte protagonismo do Governo, a Cimeira CEDEAO-Espanha, em Abuja. Ainda, trouxemos para Cabo Verde, mediante difíceis negociações, conduzidas pelo ex-MNEC, Eng. José Brito, as sedes do Instituto da África Ocidental (IAO), e da Agência Regional para as Energias Renováveis e Eficiência Energética.

Os diplomatas cabo-verdianos têm feito um bom trabalho no domínio das relações externas e merecem todos os encômios.

3. Estranhei que a questão das dívidas fosse trazida para o debate público em Cabo Verde. Todos devem e muitos devem muitíssimo mais. E esse facto nunca os impediu de assumir a Presidência. Por outro lado, não entendi o lançamento de várias candidaturas internas, ainda antes da confirmação de que Cabo Verde teria chances de ganhar. A regra de rotatividade por ordem alfabética existe sim e foi proposta de Cabo Verde, repito. Mas já tinha havido precedentes de não cumprimento rigoroso desse entendimento. Quando Benin devia indicar o Presidente da Comissão, jogos de bastidores levaram à escolha de Burkina Faso.

4. Não somos nem mais nem menos democratas que os outros. A democracia não se compadece com preconceitos, falsos moralismos e espírito de superioridade. A defesa intransigente das nossas posições de reforço da democracia, de desenvolvimento institucional e de igualdade de oportunidades no quadro da CEDEAO deve fazer-se sem presunção, mas com firmeza e humildade, com propostas positivas.

Cabo Verde só tem importância estratégica se estiver competitivamente inserido na CEDEAO. Mas temos de fazer o nosso trabalho de casa e fazê-lo bem. Temos referências nessas matérias, não estamos a partir do zero.

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