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Caso CEDEAO: Gualberto do Rosário diz que Cabo Verde falhou no capítulo da diplomacia 24 Dezembro 2017

O ex-Primeiro-ministro, Antonio Gualberto do Rosário, volta opinar e manifestar o seu desagrado a propósito do chumbo da candidatura de Cabo Verde à presidência da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO). O politico comenta na sua pagina oficial do facebook que, “a eleição de um país qualquer para ocupar o lugar de Presidente da Comissão da CEDEAO não é uma simples questão de ordem alfabética, de precedência alfabética, como alguns querem fazer crer, mesmo sabendo que não é assim”. Do Rosário vai mais longe, afirmando que a confiança se demonstra, prova-se, através de iniciativas diplomáticas várias, que demonstrem o comprometimento efetivo com a sub-região, os seus objetivos e os seus interesses. “Prova-se através de uma diplomacia ativa e permanentemente atuante. E nisso Cabo Verde tem falhado”, afirma. Para o mesmo, “houve a falta de profissionalismo do país na condução deste dossier”.

Caso CEDEAO: Gualberto do Rosário diz que Cabo Verde falhou no capítulo da diplomacia

Gualberto considera ser importante a ordem alfabética e um fator decisivo se respeitados os outros critérios, onde o peso do fator político é o mais importante. “De entre estes fatores políticos, a perceção de que o país escolhido ou a escolher é confiável para conduzir os destinos da organização sub-regional é um elemento essencial. De contrário, seria um puro cheque em branco”, afirma.

Para o mesmo, a confiança demonstra-se, prova-se, através de iniciativas diplomáticas várias, que demonstrem o comprometimento efetivo com a sub-região, os seus objetivos e os seus interesses. “Prova-se com a presença constante e com iniciativas. Prova-se através de uma diplomacia ativa e permanentemente atuante. E nisso Cabo Verde tem falhado”, declara.

Perante a situação, o ex-primeiro-ministro sugere questionar-se ao Ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, “durante este tempo todo, a quantos conselhos de ministros da CEDEAO participou e a quantos falhou. Pergunte-se-lhe ainda, se as coisas ficaram piores ou melhores depois do discurso que fez no Conselho de Ministros que precedeu a Cimeira, e qual foi o resultado no humor das delegações dos demais países.”

Defende que a confiança demonstra-se, ainda, através do candidato. Para um posto como a presidência da Comissão, há,segundo ele, que indicar uma personalidade de elevado perfil técnico e, sobretudo, político, CONHECIDA NA REGIÃO, respeitada nela. «Cabo Verde respeitou esses requisitos? - Claro que não respeitou», observa.

O ex-Primeiro de Cabo Verde diz que é preciso, ainda, ter em atenção os interesses económicos da sub-região, os interesses geoeconómicos e os geopolíticos. “Pergunto se Cabo Verde tratou disso. Se constituiu um dossier consistente, definiu uma estratégia, criou uma equipa, mobilizou todos os que poderiam dar uma contribuição válida, e executou essa sua estratégia. É claro que não o fez. Achou que era a sua vez e pronto. Como disse alguém, ocupar a pole position é uma vantagem, mas não é a garantia de vitória. Se o carro tiver problemas mecânicos ou não tiver combustível, por exemplo, vai perder.”

Erros e falta profissionalismo na frente diplomática

“Perante a fragilidade e a falta de profissionalismo de Cabo Verde na condução deste dossier, a Costa de Marfim, sob pena de ela própria se deixar ultrapassar pelo País seguinte, foi forçada a avançar. Ela não pode ser condenada por isso. Nem se pode invocar a falta de respeito pelas regras. Porque o único critério não é a ordem alfabética, nem poderia sê-lo, nem é o critério mais relevante. Este critério, só se torna mais relevante observados todos os outros, com o primado do político. Acho errado confundir os cabo-verdianos passando a ideia falsa de que o único critério é a rotatividade com base na ordem alfabética. Repito aquilo que escrevi em post anterior. As cimeiras servem para validar decisões convenientemente preparadas, negociadas, lapidadas a nível diplomático.”, escreve

Conforme a mesma fonte “a CEDEAO é demasiadamente importante para Cabo Verde. Ser membro dela representa uma incomensurável mais-valia. Mas, repito, temos que saber estar, respeitando a nossa condição de pequeno país insular e arquipelágico.”

Gualberto conclui, dizendo que “nesta situação que se gerou, devemos reconhecer que erramos. E não foi pouco. Erramos na politica externa, não estivemos presentes, quando devíamos, não nos comunicamos com ninguém, não demonstramos empenho na Organização, há catorze anos que não pagamos quotas, falhamos as comissões técnicas, falhamos os conselhos de ministros. Ou seja, estivemos, de facto, ausentes. Não criamos confiança. Erramos com as pessoas e erramos com as instituições do País. Reconhecer o erro não significa cruzar os braços, cair em desalento, acusar gratuitamente, apontar o dedo. Significa, sim, aprender com eles, corrigi-los, repor as condições políticas e morais afetadas, incluindo a credibilidade e retomar a caminhada com mais fôlego”, conclui o ex-Primeiro-ministro de Cabo Verde.

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