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CFO da Huawei já está na China, livre — ’Reféns diplomáticos’ devolvidos ao Canadá 25 Setembro 2021

Sabrina Meng Wanzhou está de volta à China, quase três anos depois de detida ao desembarcar em Vancouver, Canadá. A top-executiva da Huawei chegou nesta mesma sexta-feira a acordo com o tribunal de Vancouver sobre a sua culpa nos factos da acusação, que incluem a violação das sanções contra o Irão e a prestação de informação falsa ao banco HSBC-US. Uma hora depois do avião de Meng decolar rumo à China, o primeiro-ministro Justin Trudeau anunciou que os dois canadianos "reféns diplomáticos" já estavam dentro do avião para o Canadá.

CFO da Huawei já está na China, livre — ’Reféns diplomáticos’ devolvidos ao Canadá

A administradora financeira e herdeira da multinacional tecnológica Huawei, detida desde 2018 no Canadá a pedido dos Estados Unidos para onde devia ser extraditada, acusada de violação das sanções contra o Irão, chorou ao ouvir que está livre.

A audiência desta sexta-feira com o tribunal de Vancouver, na Colúmbia Britânica — que deu a liberdade à executiva da Huawei, há quase três anos detida em casa com tornozeleira eletrónica (que virou motivo fotográfico perseguido pelos que cercaram a sua casa multimilionária durante todo este tempo) —, não será todavia a última. É que a justiça do Canadá pretende continuar a acusação contra a Huawei.

Há três anos ao descer no aeroporto de Vancouver, na Colúmbia Britânica, onde tem segunda residência, a executiva da Huawei tinha a polícia à espera. O mandado judicial referia a alegada violação das sanções contra o Irão.

A detenção de Meng, filha de Ren Zhengfei (com o presidente Xi Jinping na foto ao centro), fundador da Huawei e deputado do PC chinês, e por isso membro da elite governamental chinesa, surgiu no contexto mais alargado que é o da Huawei no meio da ‘guerra económica’ entre os Estados Unidos e a República Popular da China.

Segundo o jornal estatal chinês China Daily referiu o mês passado, em 12 agosto, é um power point apresentado em 2013 ao HSBC — o segundo maior banco europeu — que está na base da detenção da executiva em 01 de dezembro de 2018 no Vancouver International Airport a pedido dos Estados Unidos.

Nessa apresentação, Meng teria "colocado o HSBC em posição de violar as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irão" por falsear a relação entre a Huawei e a Skycom (tecnológica sediada em Hong Kong e apontada como subsidiária da Huawei, mas que nega essa relação).

A China condenou a detenção de Meng como uma "reprovável medida dos Estados Unidos para travar a Huawei" (Hora da China: Afirma soberania, desafia críticas, ameaça opositores, 19.jul.020). Entenda-se, na sua expansão global em concorrência com a primeira potência mundial.

Neste caso de quase três anos de detenção da "princesa da Huawei", a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos não pode ser minorada enquanto mais um fator subjacente. Tal como outros factos ocorridos meses antes, como o da rutura entre a Google e a Huawei (Guerra comercial RPC-EUA leva a ’divórcio’ Google-Huawei, 21.mai.019).

A "diplomacia do sequestro"

Nove dias depois da executiva da Huawei ser detida em Vancouver, eram detidos em Pequim os canadianos Michael Kovrig, ex-diplomata, e Michael Spavor, empresário (fotos mais à esqª).

A China acusou-os de espionagem, mas para o Canadá tratou-se de um caso de "diplomacia do sequestro". Ou seja, uma táctica pela qual Pequim punha pressão sobre o governo do Canadá para obter a libertação de Meng Wanzhou.
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Fontes: AP/BBC/Washington Post/ The China Daily/ Global Times. Fotos (Reuters/AP/Getty): Dois voos entre o Canadá e a China, em sentidos opostos, transportam a herdeira da Hauwei (radiosa em fato alaranjado, no aeroporto) e os "reféns diplomáticos". As ligações com o poder em Pequim — refletidas nas parcerias como a com Rússia de Putin, na "nova guerra-fria" — são a base da expansão global da Huawei (cujo emblema em hieróglifos forma a palavra ’flor’). O império tecnológico que Ren fundou em 1996 continua em Meng, da terceira geração de uma família com ligações ao PCC.

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