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CIDADE DE SÃO FILIPE, 100 ANOS DEPOIS - “UMA HOMENAGEM” 13 Julho 2022

Logo, estejamos onde estejamos, nunca devemos desligarmos do nosso país, nossa ilha, nossa cidade, sob pena de sucumbirmos como o ramo arrancado da árvore mãe.

Por: Adriano Pires*

CIDADE DE SÃO FILIPE, 100 ANOS DEPOIS - “UMA HOMENAGEM”

Caros “sanfilipenses”, afinal, a natureza é como a alma, é suprema, está acima de tudo e de todos. Não faz sentido tentar modificá-la ou retocá-la, sob pena de se estar a contaminá-la sem se aperceber.

Por isso, e só por isso, contra a corrente, e sem procurar ser excecional, mas com força, notoriedade, apreço e grandiosidade de sempre, a gente da Cidade de SÃO FILIPE, da diáspora e não só, está hoje vestida de fato e gravata, a solenizar com honras de Estado, religiosas e profanas, os 100 anos de vida da nossa Cidade, como que retroalimentado a esperança de dias mais prósperos, almejados todos os dias, há mais de 5 séculos.

Dias mais bem-afortunados, só possíveis, se cada um dos seus filhos fazer a sua parte, manter o elo de ligação, mesmo estando longe, na emigração ou não.
Para tanto, ninguém deve ignorar-se, NUNCA, que o nosso país, a nossa Ilha, a nossa cidade, tem ALMA, uma consciência interior, umbilicalmente ligada a cada um dos seus patrícios, e que essa alma é um juízo integrador, sem a qual desligamo-nos da própria existência, assim como morre o ramo de uma árvore, quando arrancado do tronco, por ter perdido a ligação à sua fonte de junção, de criação.

Logo, estejamos onde estejamos, nunca devemos desligarmos do nosso país, nossa ilha, nossa cidade, sob pena de sucumbirmos como o ramo arrancado da árvore mãe.

Pois é, a ALMA existe, ela é algo material, parte do nosso ser, que em situação alguma desaparecerá. Às-vezes, por razões mundanas, nós é que descuidamos dela, quando não deixamos de alimentá-la, sem nos apercebemos que deixamos parte de nós em todos os lugares onde nascemos ou um dia estivemos, e que no nosso subconsciente há segredos guardados que só reavemos quando voltamos para o local onde nascemos, criamos, brincamos, estudamos, ou um dia estivemos casualmente a conviver com um desconhecido, um amigo ou um familiar, por mais breve instante que seja. Claro, sem esperar por convite formal de ninguém.

Perceber, portanto, que não basta o regresso às nossas origens. Importa que, quando lá chegarmos, não nos deixemos cair no desleixo de não dizermos ao nosso país, nossa Ilha, neste caso, à Cidade de SÃO FILIPE: Sou eu! Eu sou Daniel, Luísa, Jorge, Lídia, Ernesto, Fátima, Fausto, Domingas, Domingos, José, Sílvia, Adriano, Paula, Carlos, Maria, Artur, Letícia, Roberto, Sena, Lucindo, Lucinda, Augusto, Augusta, João, Orlando, Orlanda, Antónia, Pedro, Fidel, Amarise, Gabriel, Gabriela, Lolinha, Carlos, Agnelo, Cristiano, Katia, Caetano, Armindo, Plácido, Kiki, Luísa, Pirreth, Fina, Love Miranda, Elizabeth, Josefa, Gil Garcia, Tony, Alírio, Nanda, Lucindo, Sebastião, Teresa, Dotor, João de Cuti, conforme for o caso, para que a ligação umbilical nunca desapareça.

São Vicente, 12/7/22

* Foto: Adriano Pires com farda militar, com os irmãos Pedro Pires e Caetano Pires (falecido), filhos do Fogo

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