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CMP dá nome Manecas Duarte à rua da Prainha 21 Maio 2009

Manecas Duarte é a partir desta quinta-feira, 21, nome da principal rua da Prainha. Uma decisão da Câmara Municipal da Praia, que acontece no ano em que aquela destacada figura da cultura de Cabo Verde completaria 80 anos, caso fosse vivo.

Manuel de Jesus Monteiro Duarte, mais conhecido por Manecas Duarte, falecido em Agosto de 1982, nasceu na cidade da Praia a 18 de Janeiro de 1929, passa a ser o nome da principal rua da Prainha, bairro onde viveu largos anos. O acto está previsto para às 11 horas, em cerimónia a ser presidida pelo edil Ulisses Correia e Silva.

Com irmão Abílio, Manecas Duarte foi pioneiro da luta pela independência de Cabo Verde, sob a égide do PAIGC. Formado em direito pela Universidade de Coimbra, foi delegado procurador da República em S.Vicente, antes de ser transferido para Angola na primeira metade dos anos sessenta. Aqui passaria a exercer a advocacia com a angolana Maria do Carmo Medina, tendo ambos feito a defesa de vários nacionalistas angolanos.

Em vida, mais do que um criador, Manecas Duarte foi sobretudo um influente intelectual. Em Lisboa, esteve na génese do grupo Nova Largada, com Gabriel Mariano, José Leitão da Graça, José Araújo; em Cabo Verde esteve na promoção do “Seló”, suplemento do jornal Noticias de Cabo Verde”, que se publicava no Mindelo. É dele, por sinal, o primeiro texto sobre a “caboverdianidade”, dado à estampa em 1956 na revista Vértice, que se publicava em Coimbra. Depois da independência de Cabo Verde, Duarte daria à estampa outros tantos ensaios na revista Raízes, de que foi um dos promotores ao lado de Arnaldo França e outras figuras da cultura cabo-verdiana.

Ainda depois da independência de Cabo Verde, Manuel Duarte exerceu vários cargos públicos. Foi presidente do primeiro Supremo Tribunal de Justiça (na altura Conselho Nacional de Justiça), procurador-geral da República, conselheiro do presidente da República (Aristides Pereira) e primeiro presidente do Instituto Cabo-Verdiano do Livro.

Manecas Duarte esteve na génese de algumas das primeiras leis de Cabo Verde independente, dentre elas a LOPE (Lei do Ordenamento Político do Estado). É co-autor com o irmão Abílio do texto da proclamação da independência de Cabo Verde, lido pelo primeiro na sua qualidade de primeiro presidente da Assembleia Nacional.

Em 1999, através da Spleen Edições, foram dados à estampa, a título póstumo, os dois únicos livros de Manuel Duarte: “Caboverdianidade e africanidade” (ensaios) e “Partes de fundador” (tese de licenciatura”.

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