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CPI ausculta companhia Aliseu Lda: Armadores cabo-verdianos estavam em condições de assumir o serviço de transporte inter-ilhas 23 Julho 2019

O armador da Aliseu Lda, João do Rosário, garantiu, esta segunda-feira, que os armadores nacionais tinham condições de assumir o serviço de transporte inter-ilhas, que era preciso reorganizar, mas que não passaria por ter uma empresa estrangeira.

CPI ausculta companhia Aliseu Lda: Armadores cabo-verdianos estavam em condições de assumir o serviço de transporte inter-ilhas

Este representante da referida empresa, que participou no concurso internacional prolvido pelo governo junto com a Polaris, falava, esta segunda-feira, em videoconferência da cidade do Mindelo para a reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o processo de concessão do serviço público de transportes marítimos inter-ilhas, conduzido pelo deputado Manuel Inocêncio Sousa.

Segundo João do Rosário citado pela Inforpress, Aliseu Lda, que explora o navio 13 de Janeiro, se a Transinsular vai, a partir do dia 15 de Agosto, alugar os navios que já estavam em Cabo Verde para começar a trabalhar é uma prova de que os armadores nacionais tinham condições materiais e para prestar este serviço.

“Tínhamos condições materiais, inclusive até de organização porque já havia Transportes Marítimos de Cabo Verde (TMCV). Havia condições porque a Transinsular vai-se estribar nos navios nacionais para iniciar, que são da Polaris e os do Fast Farry, e depois com o tempo vai substitui-los”, garantiu João do Rosário.

No entanto, o armador da Aliseu Lda defendeu que faltava “esse apoio que o Governo quer dar agora” para que o serviço fosse prestado de melhor forma.

É que, segundo a Inforpress, sublinhou que neste momento todos os navios querem fazer linhas rentáveis, deixando as não rentáveis descobertas, porque não tendo um acordo prévio com o Governo os armadores não têm responsabilidades de ir às linhas deficitárias.

“Por isso é que criamos a TMCV. Teria uma pessoa a controlar os navios nacionais e, com o apoio do Governo, obrigava a todos os navios a terem uma rota pré-definida. Infelizmente neste momento não temos uma rota pré-definida. Aliás, já o tínhamos iniciado, havia navios que faziam São Vicente – Praia – Fogo, outros que faziam São Vicente- São Nicolau e Sal, e que faziam São Vicente- Sal – Boa Vista e Praia,” concretizou.

Para João do Rosário, por não ter essa administração única, o que tem acontecido neste momento é que vários navios se encontram no mesmo porto, causando uma sobreposição e desorganização de navios.

“Antes, não havia sobreposição dos navios. Neste momento, chega-se no cais da Praia e não há lugar para atracagem. Era necessário reorganizar a empresa nacional, mas reorganizar este sistema de transporte não passaria forçosamente por ter uma empresa estrangeira,” sentenciou o armador da Aliseu Lda.

Sobre a causa da exclusão da empresa Polaris do concurso, segundo a mesma fonte, a razão que foi dada foi que o volume de negócios da Polaris era inferior aos dos concorrentes internacionais. Mas, no seu entender, o processo deveria ser analisado dentro do quadro de negócio nacional e não internacional.

Entretanto, apesar da exclusão do concurso da armadora Polaris, que antes apresentou uma candidatura em consórcio com o armador da Aliseu Lda, João do Rosário garantiu que vai continuar a operar.

A este propósito, esclareceu que “a lei cabo-verdiana não lhe impede de trabalhar de fora” da empresa criada pela Transinsular, porque o concurso “não dá à Transinsular exclusividade total de transporte marítimo, mas sim a exclusividade de subvenção”, refere João do Rosário junto da Comissão Parlamentar de Inquérito criada para o efeito.

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