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Cabo Delgado/Moçambique: Detenção de suposto membro dos grupos armados pode ser "ponta do iceberg" 30 Agosto 2020

Juntamente com o suspeito detido em Pemba, foram apreendidas armas e uniformes militares. SERNIC acredita que insurgentes "fazem adiantar o equipamento" para depois atacar.

Cabo Delgado/Moçambique: Detenção de suposto membro dos grupos armados pode ser

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) na província moçambicana de Cabo Delgado apresentou à imprensa, na quinta-feia (27.08), um suposto integrante do grupo de insurgentes que ataca aquela região do país desde 2017.

A neutralização do supeito pelo SERNIC, ocorreu no passado dia 12 de agosto, numa paragem de autocarros em Pemba.

Na posse do homem estavam duas pastas contendo cinco armas de fogo, 10 carregadores (sete dos quais contendo munições e três vazios), seis pares de fardamento militar, quatro camisolas militares e um par de botas, informou o SERNIC.

A encomenda contendo o material bélico saía do distrito de Mueda - a mais 300 quilómetros de Pemba e a cerca de 100 quilómetros de Mocímboa da Praia - e deveria ser entregue a uma cidadã em Pemba, relatou o indivíduo.

O diretor do Serviço Nacional de Investigação Criminal, em Cabo Delgado, Ntego Crisanto Ntego, não tem dúvidas: trata-se de uma operação que visava movimentar armamento para Pemba pelo grupo armado, que tem feito ataques naquela região de Moçambique.

"A história nos diz que os insurgentes, quando estão para entrar num território, primeiro fazem adiantar o equipamento e depois é que eles vêm [vestidos] à civil. Portanto, nós entendemos que isso fosse o ’modus operandi’ dos insurgentes," descreveu.

Suspeito coloca a culpa em um primo militar

Detido em Pemba, o indivíduo justifica que foi apenas cumprir o pedido de um primo seu, que é militar e que terá solicitado para recuperar uma pasta esquecida por este num autocarro. A pasta deveria ser, depois, entregue à mãe do referido militar, residente no bairro do Alto Gingone, em Pemba. O indiciado diz que não conhecia o conteúdo da encomenda.

"Sendo meu primo, eu considerei isso [laços de parentesco]. Saí às 16 horas de casa para a estação, onde tive de esperar até às 18 horas - até a chegada do referido autocarro que transportava a pasta. Quando o Nagi [autocarro] chegou, dei sinal ao meu primo para perguntar como iríamos receber uma encomenda sem ter o número da pessoa que a transportava? Então, o meu primo fornece-me o número do cobrador e o acento onde tinham sentado antes de esquecer a pasta," relatou.

O homem diz ainda que, logo depois de receber as duas pastas do cobrador do autocarro, foi surpreendido pelos agentes do Serviço Nacional de Investigação Criminal que o detiveram em seguida.

"Levaram-me ao posto deles [do SERNIC] e começaram a abrir. Depois de terem aberto as pastas e visto tudo o que havia lá dentro, perguntaram-me: ’Quem te mandou para ir receber a pasta?’ ao que respondi que a pessoa que me mandou abrir a pasta é um militar de nome Amar Mateus. Dali, levaram-me e deixaram-me na 3ª Esquadra," acrescentou.

O suspeito foi apresentado ao juiz de instrução criminal, que legalizou e manteve a sua detenção.

Entrada de armas em Pemba

Ntego Crisanto receia que este não seja o primeiro caso de tentativa de entrada de armamento na capital de Cabo Delgado pelas mãos de suspeitos de pertencerem ao grupo de insurgentes.

"Estamos já com receio de que possam ter entrado outras armas e também pode não ter entrado outras armas. O que se coloca é que, por se tratar de arma e ele sendo arguido, pode mentir, dizer que quem me deu a arma é tal fulano enquanto não é verdade. O circuito que se usou até chegar em Pemba é muito estranho. Vale a pena se fosse um militar a receber as armas, mas estamos a falar de um civil," ponderou.

A instituição trabalha agora para apurar a proveniência real, o destino e a causa da movimentação do armamento. C/DW ÁFrica

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