Editorial

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Cabo Verde: A remodelação governamental que pode chegar tarde 24 Mar�o 2019

O executivo de Ulisses Correia e Silva, suportado pelo MpD, enfrenta um grande dilema: o de ser remodelado ou não, diante dos resultados que, globalmente, são considerados negativos, segundo se depreende junto da opinião pública cabo-verdiana. É que o Primeiro-ministro descartou, recentemente, esta possibilidade, no momento em que celebra os três anos da governação ventoinha.

Cabo Verde: A remodelação governamental que pode chegar tarde

Para analistas nacionais, este era o momento esperado para uma remodelação profunda, já que há sectores, cujos titulares deixam muito a desejar.

Segundo eles, em estado mais crítico estão o Ministério da Educação, com problemas sérios de coordenação e funcionamento do sistema educativo, e o Ministério da Saúde e da Previdência Social, em que se destacam as recentes suspeitas de mortes por negligência no Hospital Central da Praia. O mesmo se pode dizer em relação ao Ministério da Agricultura e Ambiente, em que a gestão de Gilberto Silva é fortemente contestada por agricultores, devido à escassez de água, e criadores de gado por falta de pastos. Em causa está sobretudo a má gestão do programa de mitigação dos efeitos da seca e do seu estilo alegadamente arrogante como lida com os quadros e pessoas do meio rural que, em algumas zonas, passam a fome. Em maus lenções está também o Ministério da Cultura e das Indústrias Criticas, que abrange ainda a comunicação social, cujo titular Abraão Vicente continua em guerra permanente com jornalistas – a aprovação do Código de Ética para trabalhadores da RTC mereceu, a par da queda do país no ranking da liberdade da imprensa, a reprovação da AJOC e da Federação de Jornalistas dos Países da Expressão Oficial Portuguesa.

Na lista de departamentos remodeláveis está, por outro lado, o sector das Infra-estruturas, Habitação e Ordenamento de território dirigido pela ministra Eunice Silva, em que o PRRA é o único programa com mais visibilidade, mas que funciona praticamente como um financiamento eleitoral às 20 Câmaras de MpD. Já o sector de José Gonçalves – Transportes, Turismo e Economia Marítima – é fortemente contestado principalmente por falta da transparência na gestão de dossiês sensíveis, com destaque para a privatização da TACV e da concessão da exploração das ligações marítimas inter-ilhas. Para observadores independentes, os restantes sectores podem estar numa situação melhor, mesmo estando longe de terem um desempenho óptimo.

Dilema e desgaste

Ou seja, uma remodelação, sobretudo nos sectores críticos referidos, era o que a maioria das bases do MpD e o grande público esperavam neste momento em que o Governo completa três anos de mandado – isso podia funcionar como uma lufada de ar fresco a nível da maioria, com o qual podia tentar, neste ano pré-eleitoral das autárquicas de 2020, reverter o quadro actual de forte desgaste e descrédito na atual equipa governamental de Ulisses Correia e Silva.

A maioria no poder enfrenta, por isso, um grande dilema: ter de remodelar ou não o actual Governo. Isto diante dos resultados que, globalmente, são considerados negativos por incumprimento das professas feitas durante a campanha eleitoral, segundo se depreende junto da opinião pública cabo-verdiana. Mas Ulisses Correia e Silva descartou, no início desta semana (ver a edição de 23 de Março deste jornal) esta possibilidade, no momento em que o sistema ventoinha no poder celebra os três anos da governação. A ter de acontecer proximamente, um reajuste ou uma possível remodelação governamental – a última foi mais uma ampliação com a criação de cinco Secretários de Estado e um ministério da Integração Regional- peca por chegar muito tardiamente e com poucas possibilidades de reverter a situação crítica que se vive neste momento no país em termos da governação. É que, salvo o reajuste salarial concedido a funcionários públicos e beneficiários da pensão social mínima, as propaladas soluções para os problemas e felicidades prometidas aos cabo-verdianos estão longe de sair de discursos e papel. Vamos esperar para ver!

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