Editorial

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Cabo Verde: Dias sangrentos com seis mortos e dois desaparecidos 18 Abril 2019

A situação de insegurança interna que se vive no país, com destaque para a Capital, interpela mais atenção por parte do atual Governo, dos partidos na oposição e dos cidadãos em geral. É que, nos últimos dois dias, Cabo Verde registou seis mortos, sendo quatro dos quais por crimes de sangue – morte à catana e com arma de fogo.

Cabo Verde: Dias sangrentos com seis mortos e dois desaparecidos

O caso mais dramático aconteceu esta quarta-feira, na Praia, com um saldo de mais dois mortos: um preso (Odair Ribeiro) ficou sem vida por suposto disparo de um agente da PN ( Nuno Sequeira), que depois suicidou-se junto de um dos liceus da Achada de Santo António, presumivelmente com arma de fogo. Mas familiares denunciam que a vítima foi alegadamente espancada na instalação da PN até à morte. O Comandante Regional de Santiago Sul e Maio, Renato Fernandes, avançou, no entanto, que a Polícia Nacional já mandou abrir um inquérito interno para apurar as circunstâncias da morte do detido Odair Ribeiro, na Esquadra de Santo António, Praia.

Mas, segundo os críticos, a continuidade da alegada situação de ferro e fogo na Capital não fica por aí. Esta terça-feira,16, um jovem, de 21 anos, do bairro de Achada Grande Frente, foi também assassinado, com disparos de tiros no pescoço, na sua própria residência. O homicida, que se entregou às autoridades, pode, segundo alguns vizinhos, ter disparado erradamente no jovem – presume-se que ele estava envolvido num conflito à mão armada com outras pessoas.

Um outro crime de sangue que abalou o país aconteceu, no dia 16, em Santo Antão. Um homem de 39 anos foi assassinado, na localidade de Chã de João Vaz, interior do vale do Paul, com vários golpes de uma arma branca, tipo catana, de fabrico artesanal. O autor desse crime cruel foi entregue ao poder judicial para o apuramento das responsabilidades criminais.

Mais duas mortes no mar e desaparecidos

No Mindelo foi também encontrado, no dia 16, o corpo de um homem, que aparentava ter entre 40 e 50 anos, a boiar, na praia da Laginha. As autoridades já tomaram conta da ocorrência - até ao fecho desta edição este jornal desconhecia a causa da morte (natural, por afogamento ou outras) do referido cidadão.

Em Santiago registou-se ainda mais um óbito, isto por naufrágio de uma embarcação de boca aberta. O acidente, ocorrido no passado dia 11 de abril, no mar de Porto Fundo do concelho de Santa Cruz, resultou na morte de um dos ocupantes por asfixia – cujo corpo foi resgatado no dia 16 - e no desaparecimento de outros dois marinheiros. A PN anuncia que desencadeou uma operação de buscas, em conjunto com a Guarda Costeira, com o intuito de descobrir o paradeiro dos dois cidadãos desaparecidos em alto mar.

Enfim, nesses últimos dois dias – entre 16 e 17 – Cabo Verde contabilizou seis mortos, sendo quatro dos quais por crimes de sangue – morte à catana e com arma de fogo, incluindo o caso de homicídio do agente da PN.

Para observadores atentos, trata-se de uma situação preocupante. É que, conforme alertam, a segurança interna, um bem precioso, interpela mais atenção por parte do atual Governo, de todos os partidos da oposição e dos cidadãos em geral. O ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, tem que começar a mostrar o trabalho e não ficar apenas a falar de estatísticas que não condizem com a realidade dos factos. As pessoas precisam de mais tranquilidade e paz, principalmente na Praia, no Sal e no Mindelo! Ilustração: Foto da PN (arquivo).

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