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Cabo Verde: José Maria Neves espera eleição à primeira volta 27 Setembro 2021

O candidato a Presidente da República de Cabo Verde José Maria Neves afirmou que espera ser eleito na primeira volta, em 17 de outubro, acreditando na vitória "mesmo em condições anormais".

Cabo Verde: José Maria Neves espera eleição à primeira volta

"Eu espero que tudo seja resolvido na primeira volta e estamos a trabalhar para isso, para que estas eleições sejam resolvidas na primeira volta, em condições normais. E mesmo em condições anormais iremos fazer tudo para ganhar estas eleições", afirmou à agência Lusa José Maria Neves, 61 anos, antigo primeiro-ministro de Cabo Verde (2001 a 2016) e apoiado pelo Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), que liderou e do qual é militante há cerca de 40 anos.

"Eu gostaria de pedir que houvesse algum distanciamento do governo, a imparcialidade dos órgãos de soberania, a não utilização dos recursos do Estado para a campanha eleitoral. E seriam condições anormais se o governo entrasse, enquanto governo, os ministros, os recursos do Estado, a manipulação de dados disponíveis pelo Estado, a censura à imprensa, o medo. Seriam condições anormais. Mas mesmo assim nós estaríamos a fazer tudo para ganhar, se isso acontecesse", afirmou o candidato.

Estas críticas, repetidas por José Maria Neves nos últimos dias, mereceram entretanto resposta do governo, através da ministra da Justiça, Joana Rosa.

"O governo está estupefacto com a postura do candidato presidencial e acha estranho este comportamento, de quem já exerceu altas funções no Estado e que tem a obrigação de ser mais pedagógico, respeitar as instituições democráticas e não escolher o Governo com adversário", disse a governante, negando as acusações.

Pela frente, na votação de outubro, José Maria Neves terá como principal adversário o também antigo primeiro-ministro Carlos Veiga (de 1991 a 2000), que já conta com o apoio oficial à candidatura, anunciada igualmente em março, do Movimento para a Democracia (MpD, poder), partido que fundou e também liderou.

"É fundamental votar num presidente que une, que cuida, que protege, que aconselha, que sugere, mas também que é um árbitro imparcial da fiscalização governamental, que pode apaziguar os conflitos. Um Presidente que, respeitando as diferenças, respeitando o pluralismo da democracia, trabalha todos os dias para que haja, em cooperação estratégica com o Governo, mais economia, mais emprego, menos pobreza e menos desigualdade em Cabo Verde", afirmou José Maria Neves, prometendo, caso seja eleito, ser um presidente "presente e atuante".

Próximas passos

A campanha eleitoral para as eleições presidenciais em Cabo Verde arranca na quinta-feira e José Maria Neves, que já visitou em pré-campanha as principais comunidades cabo-verdianas na diáspora, na Europa, América e África, promete ir "a todas as ilhas".

Cabo Verde realiza eleições presidenciais em 17 de outubro de 2021, às quais já não concorre Jorge Carlos Fonseca, que cumpre o segundo e último mandato como Presidente da República.

O Tribunal Constitucional anunciou em 24 de agosto que admitiu as candidaturas a estas eleições de José Maria Pereira Neves, Carlos Veiga, Fernando Rocha Delgado, Gilson Alves, Hélio Sanches, Joaquim Jaime Monteiro e Casimiro de Pina.

Esta é a primeira vez que Cabo Verde regista sete candidatos oficiais a Presidente da República em eleições diretas, depois de até agora o máximo ter sido quatro, em 2001 e 2011.

A campanha eleitoral decorre entre as 00h00 de 30 de setembro e as 23h59 de 15 de outubro e em caso de uma segunda volta, vai acontecer em 31 do mesmo mês.

As últimas presidenciais em Cabo Verde, que reconduziram o constitucionalista Jorge Carlos Fonseca como Presidente da República, realizaram-se em 2 de outubro de 2016 (eleição à primeira volta, com 74% dos votos).

Desejos para implementar

O candidato a presidente de Cabo Verde José Maria Neves afirmou que pretende ser um "árbitro imparcial" do "jogo político" e que se for eleito pretende trabalhar "em cooperação estratégica" com o governo.

"Já fiz coabitação com o Presidente [atual] Jorge Carlos Fonseca, enquanto primeiro-ministro [2001 a 2016], foi um momento muito produtivo para Cabo Verde, de enriquecimento do processo democrático, de afirmação das liberdades civis e políticas e da consolidação do Estado de Direito democrático", afirmou José Maria Neves.

O candidato assume a recuperação da pandemia como principal prioridade e, se for eleito, pretende alargar as reuniões semanais com o governo à oposição, para "construir entendimentos".

"Recebo (caso seja eleito) o primeiro-ministro todas as semanas para falarmos da ação governativa. Pretendo, paralelamente, receber os partidos políticos, da oposição, receber os sindicatos, receber as entidades empresariais e as ordens profissionais, para ouvir a opinião e alargar a discussão e construir pontes, construir entendimentos", afirmou José Maria Neves, questionado pela Lusa sobre as suas principais prioridades no cargo.

A Semana com Lusa

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