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Cabo Verde: Pandemia colocou contas dos únicos estaleiros no ’vermelho’ 26 Outubro 2021

Os estaleiros navais da Cabnave, os únicos em Cabo Verde, detidos pelo Estado, voltaram aos prejuízos em 2020, devido à quebra de 9,4% no volume de negócios, essencialmente reparação de navios.

Cabo Verde: Pandemia colocou contas dos únicos estaleiros no ’vermelho’

De acordo com o relatório e contas de 2020 da Cabnave, consultado hoje pela Lusa, a empresa, com estaleiros no Mindelo, ilha de São Vicente, passou de lucros de 2,3 milhões de escudos (20.780 euros) em 2019 para prejuízos de 6,9 milhões de escudos (62.900 euros) no ano passado.

"Contra todas as reservas iniciais, o exercício económico de 2020 decorreu bem melhor, com uma boa contribuição do mercado nacional, onde se registaram duas grandes reparações. Destaca-se também a contribuição da frota espanhola", sublinha, ainda assim, a mensagem do conselho de administração, no relatório.

O volume de negócios da Cabnave atingiu os 293,8 milhões de escudos (2,6 milhões de euros) em 2020, uma quebra de 9,4% face a 2019, influenciada pela retração (-7,4%) na atividade de reparação naval, que representa mais de 98% do total dos serviços da empresa, no contexto da crise provocada pela pandemia, que obrigou à paragem total devido ao estado de emergência declarado para conter a transmissão da covid-19 no arquipélago.

Segundo o relatório e contas de 2020, foram reparados na Cabnave 45 navios, o que compara com os 76 em 2019, sobretudo da frota cabo-verdiana (19) e de Espanha (19), e ainda cinco de Portugal, um da China e outro de nacionalidade não identificada no documento.

"Por motivos que poderão estar ligados ao período de rotação das reparações, ficou de fora o mercado tradicional da Coreia. Também praticamente ficou o da China, devido ao início da pandemia, que dificultou a concretização de reparações que estavam previstas", refere o relatório e contas de 2020.

A empresa, que o Governo pretende privatizar, fechou o ano de 2020 com um total de 149 trabalhadores e problemas financeiros admitidos pela administração: "As dificuldades de tesouraria foram grandes durante praticamente todo o tempo, só aliviadas mais para o final do ano com a concretização de uma operação de financiamento à Tesouraria, no âmbito da linha de crédito para mitigação dos efeitos da covid-19, com garantia do Estado a 50% do valor do empréstimo".

O ministro da Economia Marítima, Paulo Veiga, afirmou no início de 2019 que o Governo estava à procura de privados com capacidade para investir até 12 milhões de euros naquele que é o único estaleiro naval do país.

"Tem vindo a melhorar ultimamente, prevê-se um investimento entre os seis e 12 milhões de euros, dependendo do que se tencionar e os estudos vão indicar nesse sentido", disse o ministro à agência Lusa, a propósito do anunciado processo de privatização dos estaleiros navais da Cabnave.

Paulo Veiga disse então que o processo de privatização estava a ser preparado pela Unidade de Acompanhamento do Setor Empresarial do Estado (UASE), do Ministério das Finanças, e o objetivo é encontrar um parceiro "com conhecimento e especializado no setor" para fazer esses investimentos necessários.

A ideia, assumiu, passa por fazer com que os estaleiros possam ter "uma dimensão mais internacional".

"A Cabnave carece de investimentos neste momento, carece de uma internacionalização, ou pelo menos regionalização, para captar mais receitas", sustentou Paulo Veiga. A Semana com Lusa

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