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Cabo Verde Telecom prevê cortes para driblar a crise devido a pandemia do novo corona vírus 02 Novembro 2020

Os lucros da Cabo Verde Telecom (CVT), grupo estatal de telecomunicações, aumentaram 3,3% em 2019, para 1,7 milhões de euros, mas a administração admite suspensão de contratos de trabalho, devido à crise provocada pela covid-19.

Cabo Verde Telecom prevê cortes para driblar a crise devido a pandemia do novo corona vírus

A informação consta do relatório e contas de 2019 da operadora, a maior do país e que atua na área das telecomunicações móveis, fixas, de internet e televisão por subscrição, ao qual a Lusa teve hoje acesso e que regista o crescimento do resultado líquido positivo daquele exercício para quase 187,6 milhões de escudos (1,7 milhões de euros), mas sem distribuição de dividendos aos acionistas.

O grupo CVT viu o número de clientes da rede móvel de comunicações crescer 1,6%, para 384.758, o de utilizadores de internet móvel aumentar 17,5%, para 240.816, e o de clientes da rede de internet fixa crescer 8%, para 16.422, enquanto os clientes da rede fixa de comunicações de voz caíram 8,3%, para 57.420.

O investimento realizado pelo grupo, que contava com 433 trabalhadores em dezembro de 2019, ascendeu a 1.355 milhões de escudos (12 milhões de euros), ano marcado pelo lançamento do serviço comercial de 4G (LTE) da rede móvel em Cabo Verde, após a conclusão do concurso para a atribuição das licenças.

A administração acrescenta que 2019 “ficará na história” da CVT como o ano da retoma do crescimento das vendas”, de 1,3%, para mais de 4.337 milhões de escudos (38,6 milhões de euros), “depois de mais de sete anos de quedas consecutivas”.

No documento, o conselho de administração realça que com a pandemia de covid-19, cujo primeiro caso da doença no arquipélago foi diagnosticado em 19 de março, “a continuidade dos negócios foi, rapidamente, ameaçada”, com o encerramento de empresas, desde logo pelo impacto da paragem total do turismo, que garante 25% do Produto Interno Bruto (PIB) cabo-verdiano e soma mais de sete meses parado.

“Mesmo para aqueles que subsistem no mercado, o problema da previsibilidade e do abrandamento substancial dos negócios é uma realidade incontornável”, lê-se no relatório, que sustenta que, embora no caso das empresas do grupo CVT “a continuidade dos negócios não está em causa”, a conjuntura atual do país causa preocupação.

“Num país fortemente dependente do Turismo, com os hotéis e outros negócios correlacionados a fecharem portas, bem como o previsível aumento do desemprego a ocasionar grandes razias no consumo, as vendas começaram a sofrer e continuarão a sofrer, por um período razoável, quedas muito substanciais”, aponta a administração.
Acrescenta que “este contexto de declínio das atividades económicas e do aumento do desemprego e, consequente, abrandamento dos negócios”, coloca “sérias preocupações nas despesas, a começar pelas despesas de pessoal, na gestão da tesouraria e na gestão de créditos”, realidade à qual não será indiferente a CVT, que já começou a preparar um novo plano de negócios.

“Como medidas imediatas, destacam-se a suspensão e adiamento dos gastos de manutenção e reparação, dos fornecimentos e serviços de terceiros, desde que não sejam críticos e cuja supressão não põe em causa a continuidade dos negócios. De igual forma pondera-se a suspensão de alguns contratos de trabalho bem como das remunerações acessórias, enquanto perdurar o abrandamento dos negócios, bem como a suspensão dos gastos relativos a comunicação e marketing, formação, deslocação e patrocínios”, admite a administração, abordando os novos dados de 2020.

Os novos investimentos serão analisados “caso a caso” e a sua realização “será condicionada ao facto de estarem diretamente relacionados com as novas receitas ou com a alavancagem dos negócios existentes”.

O Grupo CVT conta com as participadas CV Móvel (rede de telecomunicações móveis), CV Multimídia (televisão por subscrição e internet) e a Directel Cabo Verde (Páginas Amarelas).

A maioria do capital social do grupo CVT é liderada (57,9%) pelo Instituto Nacional de Previdência Social (instituto público que gere as pensões cabo-verdianas), contando ainda com a estatal Aeroportos e Segurança Aérea (20%), a Sonangol Cabo Verde (5%) e o Estado de Cabo Verde (3,4%) entre os acionistas.

O ministro das Finanças de Cabo Verde, Olavo Correia, anunciou há precisamente um ano, na conferência internacional que a agência Lusa promoveu na cidade da Praia, que o capital social da CVT seria dispersado em bolsa em 2020, através de convite a empresas estrangeiras.

“No próximo ano seguramente teremos oportunidade de dispersar capital convidando privados com ‘know how’ para acelerar essa dinâmica de construção de um hub tecnológico, é preciso ‘players’ que apostem na inovação, com capital e conhecimento para sairmos do status quo e acompanhar essa dinâmica permanente do sector”, disse o também vice-primeiro-ministro sublinhando que tal plano não avançou devido a pandemia de COVID-19.

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