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Cabo Verde aposta no combate ao gafanhoto ainda em estado larval 24 Julho 2020

O Ministério da Agricultura e Ambiente anunciou, esta quinta-feira, que já tem equipas no terreno para identificar zonas de eclosão de gafanhotos e combater ainda em estado larval, evitando a praga que afetou o país no ano passado.

Cabo Verde aposta no combate ao gafanhoto ainda em estado larval

“O Ministério da Agricultura e Ambiente já está no terreno com equipas a identificar zonas de eclosão de gafanhotos. A estratégia passa por fazer a prospeção atempadamente e combater no estado larval, uma vez que nesta fase a sua capacidade de dispersar é menor, o que necessita de muito menos meios”, anunciou, segundo a Lusa, aquele ministério cabo-verdiano.

A mesma fonte indicou que nesta praga, pela sua biologia, as eclosões acontecem cerca de 10 dias após as primeiras chuvas e que a duração do seu estado larvar é de cerca de 20 a 25 dias.

“Findo esse tempo, haverá a última muda e a larva dá origem ao alado (adulto)”, prosseguiu, referindo que a parte operacional de luta deve começar a partir de dez dias após as primeiras chuvas significativas e deve demorar cerca de 20 dias.

Desde a semana passada que a chuva voltou a cair com alguma intensidade em quase todas as ilhas de Cabo Verde, após três anos irregulares e insuficientes e que provocou seca extrema no arquipélago.

No ano passado, choveu apenas alguns dias no mês de setembro, provocando uma praga de gafanhotos em terras áridas e semiáridas de quatro ilhas cabo-verdianas, Santiago, Brava, São Nicolau e São Vicente, o que levou o Governo a declarar emergência e reforçou o combate com militares.

A fazer fé na mesma fonte, o Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) frisou que, tendo conhecimento de todas as zonas atacadas no ano passado, este ano iniciou os trabalhos no terreno a fim de detetar os primeiros focos e iniciar com os trabalhos de combate.

“A ideia é trabalhar com várias frentes de combate, mesmo nos fins de semana, sem perder nem um dia, principalmente nas zonas com maior potencial de eclosão e acompanhar as áreas, fazendo intervenções lá onde for necessário, uma vez que o gafanhoto tem um crescimento muito rápido, de forma a não perder o controlo”, prosseguiu.

Na mesma nota, o ministério citou o coordenador do Programa Fitossanitário do MAA, Celestino Tavares, que afirmou que este ano se adotou uma estratégia de fazer a campanha em dois tempos.

“Neste primeiro momento, vamos lutar contra as larvas, recorrendo ao isco envenenado e num segundo momento, finais de agosto, setembro, aplicaremos um pesticida biológico a base de fungos, um fungo específico que mata os gafanhotos com um período de ação de seis semanas”, referiu o responsável.

“E para além do seu período de ação de seis semanas, cada gafanhoto morto produzirá novos fungos que matará novos gafanhotos, desencadeando mortes em cascata, fazendo com que nos anos seguintes tenhamos menos gafanhotos”, completou.

Celestino Tavares disse à Lusa que todas as delegações do Ministério da Agricultura e Ambiente já dispõem de iscos, farelo misturado com pesticida em pó, e um ‘stock’ de finitriotion e um pesticida biológico (novacride) à base de fungos que serão usados na luta contra gafanhotos.

Cabo Verde regista anualmente várias pragas de sequeiro e o gafanhoto é considerado uma das mais importantes, pelo que as autoridades cabo-verdianas pedem ainda o envolvimento de todos no combate, principalmente os agricultores.

No ano passado, o diretor-geral da Agricultura cabo-verdiano, José Teixeira, explicou que a "explosão fora do normal" de gafanhotos no país deu-se por causa da humidade provocada pelas chuvas de setembro e da alta temperatura, o que favoreceu a eclosão dos ovos.

Ao contrário do que acontece com os mosquitos, os gafanhotos, que têm um ciclo de vida de 24 dias, não transmitem qualquer doença ao homem, conlui a Lusa.

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