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Cabo Verde deixa de compensar trigo mesmo com aumento do preço do pão 11 Fevereiro 2022

O Governo cabo-verdiano informou hoje que em dois anos compensou em 1,5 milhões de euros as subidas do custo da farinha de trigo, medida que vai ser descontinuada, procurando soluções para o aumento generalizado do preço do pão.

Cabo Verde deixa de compensar trigo mesmo com aumento do preço do pão

"A manutenção destas medidas seria, no presente contexto, insustentável, além de prolongar as perturbações no funcionamento do mercado", alertou o ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, em conferência de imprensa na cidade da Praia, .

O encontro com a imprensa, em conjunto com o ministro da Indústria, Comércio e Energia, Alexandre Monteiro, abordou as sucessivas subidas dos custos da farinha de trigo, que levaram a um aumento do preço do pão, um dos alimentos mais consumidos no país.

Por exemplo, na cidade da Praia, um pão carcaça de 100 gramas, que é o mais consumido pelos cabo-verdianos, estava a ser vendido a 10 escudos (0,09 cêntimos do euro) em muitas padarias e lojas, mas desde esta semana subiu para 13 escudos (0,11 cêntimos do euro).

Mas todos os produtos derivados da farinha de trigo registaram aumentos nos últimos dias, o que tem preocupado os cabo-verdianos, sobretudo das camadas mais desfavorecidas, que estão ainda a fazer frente às consequências da pandemia da covid-19 e aumentos de preços de outros produtos, como combustíveis.

Gilberto Silva precisou que o saco de farinha de trigo de 50 quilogramas (kg) atingiu o preço de 2.840 escudos (25,7 euros), mais 500 escudos (4,5 euros) do que o valor praticado anteriormente, levando a um aumento generalizado dos produtos derivados, como o pão.

Mas segundo o governante, estes valores têm vindo a aumentar desde 2020, por causa da conjuntura internacional, de que Cabo Verde é dependente, pelo que considerou ser "natural" que, à semelhança de quase todos os países do mundo, enfrente esta escalada de preços.

"Devemos realçar que o nosso país sofreu semelhante situação em 2010 e 2011 na sequência da crise imobiliária", recordou Gilberto Silva, para quem o Governo "é sensível" a esta situação, mas sublinhando que as intervenções só podem existir dentro das balizas legais.

"Estamos a falar de produtos cujos preços não são regulados e devem obedecer às regras do mercado, que devem funcionar, normalmente, conforme manda a lei. O Estado só pode intervir, pontualmente, e em situações muito excecionais", afirmou.

E nos últimos dois anos (2020 e 2021) registaram-se outras tantas subidas de preços do trigo, em 10% e 16%, respetivamente, mas o Governo avançou com a compensação da empresa produtora e dos importadores, em valores de cerca de 173 milhões de escudos (1,5 milhões de euros).

Entretanto, mesmo com o aumento do preço do pão e outros produtos derivados da farinha de trigo, o ministro garantiu que a compensação vai acabar, para "deixar o mercado" funcionar, onde o pão é um produto abrangido pelo regime de preços livres desde 2006.

"Estas medidas não são sustentáveis, não se pode continuadamente manter medidas compensatórias e é por isso que têm que ser descontinuadas e deixar o mercado funcionar", garantiu Gilberto Silva.

Por sua vez, o ministro da Indústria, Comércio e Energia, Alexandre Monteiro, deixou bem claro que a lei proíbe acordos e práticas concertadas entre as empresas e associações para fixar preços, que possam impedir, falsear ou restringir a concorrência.

"E neste sentido, as entidades fiscalizadoras estão e continuarão atentas para intervir lá onde houver necessidade para que a lei possa ser cumprida", mencionou.

Alexandre Monteiro garantiu, mesmo assim, que o Governo vai prosseguir o diálogo com os operadores da fileira do trigo e da indústria de panificação e procurar "soluções" que possam melhorar a satisfação do consumidor e garantir sustentabilidade da indústria da panificação. A Semana com Lusa

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