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Cabo Verde e São Vicente de luto: Morreu Onésimo Silveira, cientista político e homem da cultura 29 Abril 2021

Cabo Verde e São Vicente estão de luto, ao perderem uma ilustre figura do mundo da política e da cultura. Trata-se de Onésimo Silveira, que faleceu, na madrugada de hoje, 29, vítima de doença prolongada. De perfil multifacetado, Silveira ficará para sempre registado na história dessas ilhas como cientista político de renome, escritor polémico de intervenção social e primeiro presidente da Câmara Municipal de São Vicente eleito democraticamente após a instauração do multipartidarismo em 1991 no país.

Cabo Verde e São Vicente de luto: Morreu Onésimo Silveira, cientista político e homem da cultura

Com o funeral ainda por marcar, Onésimo Silveira faleceu, aos 86 anos de idade, na madrugada de hoje, vítima de doença prolongada – encontrava-se acamado há já alguns meses. Tendo sido um grande amigo e colaborador permanente do A Semana, o coletivo deste jornal aproveita para apresentar o seu profundo pesar pela morte de Silveira, endereçando as suas sentidas condolências à família enlutada.

Segundo familiares citadas pela Inforpress, a notícia do seu falecimento chegou célere à reunião da Assembleia Municipal de São Vicente, que decorria na manhã de hoje, na Academia Jotamont, tendo o órgão municipal cancelado de imediato a sessão extraordinária.

O Edil Augusto Neves considerou que a morte de Onésimo Silveira “é uma grande perda para São Vicente e Cabo Verde”. Neves, que falava após a suspensão dos trabalhos na Assembleia Municipal de São Vicente, afirmou que Silveira foi “um grande político, escritor e democrata”.

“Tendo sido o primeiro presidente de São Vicente iremos conversar com os familiares, juntamente com a Assembleia Municipal, para vermos, neste momento difícil e de dor de todos os sanvicentinos, como podemos homenagear dignamente a figura de Onésimo Silveira”, afirmou Augusto Neves.

Por sua vez, a presidente da Assembleia Municipal de São Vicente, Dora Pires, manifestou a sua consternação pela morte de Onésimo Silveira. Para a mesma fonte, Silveira foi “um homem que sempre fez a luta em prol da liberdade e da democracia cabo-verdiana e um presidente do qual “todos os munícipes se orgulharam”.

Reações dentro e fora de Cabo Verde

O desaparecimento físico de Onésimo Silveira está a provocar as mais diversas reações de consternação dentro e fora de Cabo Verde. O chefe de Estado Jorge Carlos Fonseca lamentou a morte de Silveira, que considerou ter sido «uma grande figura» política e cultural de perfil multifacetado que o país e São Vicente, em particular, perderam (ver este jornal).

Já o ex-primeiro-ministro José Maria Neves, citado pela Inforpress, enaltece a figura mítica de Onésimo Silveira. “Nasce mais uma estrela na constelação de deuses e um homem, que são muitos”. “Poeta, cientista político, académico, ensaísta, autarca, diplomata e cidadão do mundo. Inteligente, libertário, humanista, emotivo – regressou comigo a São Tomé e Príncipe, para chorar, de novo, diante da pobreza em que ainda vivem os contratados – e patriota”, escreveu José Maria Neves, realçando que Onésimo Silveira “sempre esteve do lado dos mais pobres e dos excluídos, dos desafortunados e deserdados”.

Para JMN, ele foi um “homem que amou desmedidamente a sua ilha natal, São Vicente, e amou, à sua maneira, com abundante liberdade de espírito, Cabo Verde”. “Homens plurais desta dimensão não morrem. Assumem definitivamente a sua condição de estrelas e iluminam os caminhos daqueles que ainda percorrem os labirintos da existência humana, aqui na terra”, registou José Maria Neves.

O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas também reagiu à morte de Onésimo Silveira, que considerou ser símbolo do homem culto e de convicções fortes. “Símbolo do homem culto, de convicções forte, com coluna vertebral no lugar, a imagem do que significa ser homem da cultura. Não há ser cultural sem que também seja ser político. Frontalidade, ideias profundas e combatividade! Até sempre Onésimo Silveira”, lê-se numa publicação de Abraão Vicente, na sua página na rede social.

A Embaixada de Cabo Verde em Portugal também emitiu uma nota de pesar, afirmando que foi com a “mais profunda tristeza” que recebeu a notícia do falecimento de Onésimo Silveira, “ilustre personalidade cabo-verdiana, político, diplomata, poeta e escritor”.

“Para além do seu profundo engajamento no processo que conduziu à independência de Cabo Verde, também exerceu os cargos de presidente da Câmara Municipal de São Vicente, conselheiro do primeiro-ministro, Embaixador de Cabo Verde em Portugal, no período de 2002 a 2005”, indicou, apresentando à família enlutada e amigos as “mais sentidas condolências e a sua plena solidariedade nesta hora de luto e de dor”.

O ex-ministro e deputado Mário Matos disse, por seu lado, disse que a morte de Onésimo Silveira “deixou um vazio”, mas defendeu que “São Vicente, em particular, e a Nação, em geral, saberão homenagear esse filho distinto”.

“O desaparecimento de uma personalidade nacional, controversa que foi, que lutou com determinação, inteligência e a sedução dos grandes políticos, pela dignidade e desenvolvimento da sua estimada ilha de São Vicente, mas, também, por um Cabo Verde livre e democrático”, lê-se, ainda segundo a Inforpress, na publicação de Mário Matos, para quem “essa voz que incomodou e desassossegou, pereniza-se na obra e no coração dos seus companheiros de jornada e dos que o estimam”.

A escritora Vera Duarte, por sua vez, afirmou que “Cabo Verde perde mais uma figura de referência”.

Para o ex-presidente da Assembleia Nacional, Aristides Lima “O País perdeu um homem da hora grande, o poeta, o político e homem de estado, o amigo”.“Foi-se o Homem. Ficou felizmente a obra. Sentidas condolências à sua Família e São Vicente, sua terra Natal, onde foi eleito como primeiro Presidente da Câmara em eleições competitivas e democráticas”, escreveu.

Mas as reções não ficam por aí. O ex-ministro da Coordenação económica e também antigo Primeiro-ministro, Gualberto do Rosário, disse que São Vicente e Cabo Verde estão de luto. “São Vicente e Cabo Verde acabam de perder um dos seus grandes filhos. Eu perdi um grande amigo Onésimo Silveira, inteligente, digno, vertical, intelectual, livre. Cabo-verdiano de todos os costados. Que o Bom Deus te envolva na sua perpétua Luz”, escreveu segundo a Inforpress.

Por sua vez, o deputado nacional José Maria Veiga considerou Onésimo Silveira “um ilustre filho destas ilhas afortunadas”.

O ex-presidente de Câmara Municipal e São Vicente, José Faria, que substituiu Onésimo Silveira na autarquia, diz ter sido um “defensor intransigente dos interesses de Cabo Verde” e São Vicente em particular.

Já o atual presidente da Câmara Municipal da Praia, Francisco Carvalho, considerou Silveira “um pensador e um cidadão do mundo”, pelo que a sua morte é “uma grande perda para todos”.

O vice-presidente da UCID, João Luís, também destacou Onésimo Silveira como “grande político e presidente de câmara”.

Onésimo Silveira, 86 anos, encontrava-se acamado há já alguns meses, segundo familiares, e a notícia do seu falecimento chegou célere à reunião da Assembleia Municipal de São Vicente, que decorria na manhã de hoje, 29,na Academia Jotamont, tendo o órgão municipal cancelado de imediato a sessão extraordinária.

Nasceu em São Vicente em 1935 e doutorou-se em Ciências Políticas, pela Universidade de Uppsala (Suécia), em 1976, ano em que começou a trabalhar na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque. (Ver dados biográficos dele neste jornal). Foto doutoramento Honoris Causa pela Universidade do Mindelo ( Inforpress)

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