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Cabo Verde gastou mais 40% para importar combustíveis em 2021 21 Fevereiro 2022

Cabo Verde importou o equivalente a 235 mil euros por dia em combustíveis em todo o ano de 2021, um aumento de praticamente 40% face ao ano anterior, segundo dados oficiais compilados hoje pela Lusa.

Cabo Verde gastou mais 40% para importar combustíveis em 2021

De acordo com dados de um relatório de fevereiro do Banco de Cabo Verde (BCV), que detalha as importações e exportações do arquipélago, o país comprou 9.453 milhões de escudos (85,8 milhões de euros) em combustíveis ao exterior em 2021.

Em 2020, ano fortemente marcado pela pandemia de covid-19 e pelo confinamento generalizado, essas importações tinham custado a Cabo Verde mais de 6.793 milhões de escudos (61 milhões de euros), em combustíveis de vários tipos, contra os 9.164 milhões de escudos (82,3 milhões de euros) em 2019.

Em média, Cabo Verde - que não tem capacidade de refinação nacional - passou do equivalente a 168 mil euros diários de combustíveis importados em 2020 para 235 mil euros em 2021, um aumento de 39,8%.

Como reflexo do progressivo aumento do preço do petróleo nos mercados internacionais, os combustíveis à venda em Cabo Verde aumentaram de preço mais de 37% de janeiro a dezembro de 2021, segundo dados oficiais.

De 2019 para 2020, com a economia a crescer mais de 5%, a importação de combustíveis - necessária também para a produção de eletricidade - por Cabo Verde aumentou mais de 1%.

O primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, afirmou anteriormente que o Governo já está a fazer um "esforço" para mitigar as consequências do impacto do aumento do preço dos combustíveis no arquipélago, que em outubro levaram a um aumento médio nas tarifas de eletricidade de 30%.

"Nós baixámos o IVA de 15% para 8%, não só na eletricidade, mas também na água, aumentámos o nível de devolução da tarifa social de 30% para 50% para as famílias de menor rendimento e também introduzimos a dedução fiscal de 130% para as empresas relativamente ao custo com energia", disse o primeiro-ministro.

Ulisses Correia e Silva apontou que o arquipélago vive o que espera ser uma situação conjuntural, mas que o executivo está a analisar medidas para reduzir os seus efeitos.

"Nós estamos perante uma situação que espero que seja conjuntural, de uma crise energética que é impactante, e o país tem limitações em termos de instrumentos também que possam minorar ainda mais esse efeito, mas nós estamos ainda em sede de discussão do Orçamento do Estado para a sua aprovação no parlamento e, até lá, iremos ver que outros instrumentos podem ser mobilizados para minorar o efeito", sublinhou.

Ulisses Correia e Silva considerou que a crise energética é "uma outra crise que se junta à pandemia".

"Temos metas muito ambiciosas", sublinhou, remetendo para a vontade de ter as energias renováveis responsáveis por 50% da produção energética em 2030 ou para a transformação digital, que diz ser "um fator importante para a melhoria da eficiência da economia".

A Semana com Lusa

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