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Cabo Verde pede apoio à UNESCO para consolidar mapeamento de naufrágios 12 Novembro 2021

O ministro da Cultura cabo-verdiano, Abraão Vicente, pediu esta quinta-feira, 11, apoio técnico à UNESCO para consolidar o mapeamento dos naufrágios no arquipélago, após denunciar que mergulhadores estão a "pilhar" bens no fundo do mar na ilha do Maio.

Cabo Verde pede apoio à UNESCO para consolidar mapeamento de naufrágios

"Cabo Verde neste momento não tem todas as condições financeiras para fazer o mapeamento. A nossa principal preocupação, neste momento, é com a criação de projetos financiados pelos parceiros internacionais que nos permita fazer a exploração subaquática. Ou seja, muito mais do que fazer alerta para que todos estejam atentos para que ninguém roube, queremos extrair os artefactos do fundo do mar para pesquisas, catalogação e, ainda, enriquecer o nosso espólio museológico", sustentou Vicente.

O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, que é também, presidente da Comissão Nacional de Cabo Verde para a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), falava durante a sua participação na 41.ª Conferência Geral da organização, que decorre em Paris, França.

Segundo o governante, o pedido de apoio técnico para consolidar o mapeamento dos naufrágios em Cabo Verde sensibilizou a UNESCO, uma vez que a principal preocupação dos países africanos tem sido a pilhagem e o comércio ilegal de artefactos culturais deste continente.

"Não só as típicas máscaras, mas muitos dos tesouros extraviados e levados para países que eram colonos. Hoje, a principal preocupação é não só o comércio ilegal dos artefactos, como também a sua devolução", frisou.

Na semana passada, o Instituto do Património Cultural (IPC) cabo-verdiano denunciou que mergulhadores dos Estados Unidos da América estão a "pilhar" e a roubar bens no fundo do mar na ilha do Maio, situação já participada às autoridades policiais.

Em declarações à imprensa, o presidente do IPC disse que há também mergulhadores cabo-verdianos que estão à procura de restos de um galeão do século XVII submerso naquela ilha. "Isto é extremamente preocupante, considerando o esforço que o país tem feito", salientou Jair Fernandes, revelando também, pirataria do género em localidades costeiras da ilha da Boa Vista e na Cidade Velha, em Santiago.

A instituição estatal cabo-verdiana com atribuições na defesa, preservação e valorização do património cultural subaquático refere que tem recebido nos últimos dias "denúncias dos vários parceiros, entre eles pescadores e comunidade costeira da ilha do Maio" sobre esta situação. "Um grupo de mergulhadores estrangeiros estão, de forma ilegal e sem autorização do Estado de Cabo Verde, a pilharem e a roubarem bens com valor patrimoniais que se encontram no fundo do mar da referida ilha", lê-se numa nota.

O documento acrescenta que a situação já foi alvo de uma participação às autoridades nacionais, tendo o IPC solicitado "a colaboração e atuação" da Polícia Marítima, Guarda Costeira e da Polícia Judiciária, "no sentido de haver uma atuação mais célere possível, para evitar a destruição e pilhagem do património subaquático da República de Cabo Verde".

Cabo Verde tem ao largo da Cidade Velha, ilha de Santiago, e da ilha do Maio alguns dos principais locais de afundamento de navios ao longo de séculos e ratificou em 2019 a Convenção da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Subaquático de 2001, tendo ainda em curso o processo de ratificação da Convenção Contra o tráfico Ilícito dos Bens Culturais também da UNESCO.

Através desta ratificação, Cabo Verde continua os seus esforços para a preservação do seu património cultural subaquático, na criação da comissão nacional para a proteção e valorização do património cultural subaquático, na formação dos técnicos nacionais nesta matéria e na sensibilização das comunidades costeiras, bem como no apetrechamento do Museu de Arqueologia da Praia.

O IPC recorda que no âmbito das suas atribuições tem vindo a "estabelecer protocolos e ações, com foco na salvaguarda dos bens culturais subaquáticos". É o caso do projeto "Margullar", desenvolvido em parceria com as ilhas da Macaronésia (Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde) e que visa articular o Património e Turismo através da realização de trabalhos de arqueologia subaquática para a preservação e conservação do património marinho, "para a sua posterior valorização e aproveitamento, com o objetivo de melhorar a atratividade e promoção do turismo nas regiões da Macaronésia".

Outro dos projetos em curso nesta área em Cabo Verde é o "Concha", desenvolvido em parceria com a Universidade Nova de Lisboa e que tem como principal objetivo "abordar as diferentes formas como as cidades portuárias se desenvolveram em torno do Atlântico do final do século XV ao início do século XVIII em relação aos diferentes ambientes ecológicos e económicos globais, regionais e locais". A Semana C/Lusa

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