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Cabo Verde pouco ou nada contribui para o aquecimento global mas muito tem sofrido com fenómeno – PR 08 Novembro 2022

O Presidente da República, José Maria Neves, afirmou, em Sharm el Sheik, que Cabo Verde pouco ou nada contribui para o aquecimento global, mas devido às suas vulnerabilidades, muito tem sofrido com as consequências desse fenómeno.

Cabo Verde pouco ou nada contribui para o aquecimento global mas muito tem sofrido com fenómeno – PR

Durante a sua intervenção na 27ª Conferência dos Estados Parte da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP27), esta manhã, o chefe de Estado sublinhou mesmo que as consequências das mudanças climáticas no arquipélago chegam a pôr em risco anos de progressos na caminhada rumo ao desenvolvimento sustentável do país.

“Cabo Verde é um dos países mais vulneráveis de África e do Mundo, um Pequeno Estado Insular em Desenvolvimento, com uma das mais baixas emissões de gases de efeitos de estufa (GEE) per capita do mundo”, vincou José Maria Neves que reiterou o pedido de Cabo Verde para a transformação das dívidas dos SIDS em investimentos climáticos.

O presidente cabo-verdiano sublinhou que são cada vez mais frequentes e longas as secas que assolam o arquipélago, registando-se, também, um agravamento da intrusão salina e deterioração das águas subterrâneas, degradação dos solos e perda da biodiversidade, entre outros.

“A pandemia covid-19 e a crise energética, associadas às alterações climáticas, agravaram sobremaneira os constrangimentos e as vulnerabilidades estruturais do país. O agravamento da dívida pública e a degradação dos indicadores sociais constituem enormes desafios para o alcance das metas preconizadas nos planos nacionais e fixadas pelos ODS da agenda 2030 das Nações Unidas”, disse perante os líderes mundiais.

José Maria Neves sublinhou que Cabo Verde adoptou o combate e a mitigação das mudanças climáticas como política do Estado, salientando que o país não tem poupado esforços no sentido de minimizar os impactos das mudanças climáticas por meio de acções planeadas e concertadas.

Neste sentido destacou a medida que visa a redução das emissões de GEE em até 35% até 2030, o que na sua perspectiva, implica maior penetração de energias renováveis e circulação de baixo carbono, mediante a introdução de incentivos para veículos eléctricos, principalmente no sector dos transportes públicos.

O Chefe Estado cabo-verdiano lembrou também que o país tem participado de forma activa nas instâncias regionais e internacionais no que concerne à governança climática, tendo assinado as principais convenções e acordos internacionais, incluindo a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, o Protocolo de Kyoto e o Acordo de Paris.

Conforme indicou, para uma governação climática efetiva, o país está a contar com o apoio dos principais parceiros de desenvolvimento e espera poder aceder mais facilmente aos fundos estabelecidos para o efeito.

“Para os países SIDS (sigla inglesa de Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento), como Cabo Verde, é vital que possam ter acesso aos financiamentos globais. Para a implementação da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), por exemplo, Cabo Verde precisa mobilizar cerca de 2 bilhões de euros nos próximos dez anos”, reiterou.

Por isso apelou à comunidade internacional, no sentido de considerar a possibilidade de transformar a dívida dos SIDS em investimentos climáticos na educação, na saúde e no combate à pobreza e às desigualdades.

A COP 27 arrancou em Sharm el-Sheik, no Egipto, esta segunda-feira e está a ser marcada pela publicação de um relatório alarmante sobre o aquecimento global.

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, se as projeções para 2022 se confirmarem, os últimos oito anos serão os mais quentes desde que há registo.

A Semana com Inforpress

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