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Cabo Verde precisa de 5 mil milhões de euros de investimentos em 10 anos para reestruturar a elevada dívida pública 02 Junho 2021

O vice-primeiro-ministro de Cabo Verde, Olavo Correia, disse hoje que nos próximos 10 anos o país precisa de 5.000 milhões de euros de investimentos estratégicos para poder reestruturar a dívida pública, esperando contar com os parceiros bilaterais. É que, de acordo com dados do relatório síntese da execução orçamental até março referido pela Lusa, o ’stock’ da dívida pública de Cabo Verde aumentou em março para mais de 264.477 milhões de escudos (2.393 milhões de euros), equivalente a 146,4% do Produto Interno Bruto (PIB) projetado para 2021, como consequência da pandemia.

Cabo Verde precisa de 5 mil milhões de euros de investimentos em 10 anos para reestruturar a elevada dívida pública

"O nosso país tem, neste momento, uma Dívida Pública (DP) considerada como sendo elevada, uma situação que limita novos investimentos", começou por dizer, conforme a Lusa, o também ministro das Finanças, ao intervir, na cidade da Praia, na abertura de um workshop sobre a reestruturação da dívida pública em capital de natureza climático.

Segundo o governante, o país precisa, nos próximos 10 anos, de investir quase cinco mil milhões de euros.

"E se não encontrar espaço ao nível do Orçamento e não encontrar uma solução para a DP atual, dificilmente o país conseguirá fazer investimentos nos mais diversos setores e áreas que são críticas e que são fundamentais para o seu desenvolvimento", alertou.

Para Olavo Correia, a conversão da dívida pública em investimentos estratégicos é de "capital importância e muito urgente" para Cabo Verde, estando também alinhada e ancorada a objetivos em matéria de proteção da natureza e do clima.

"Cabo Verde, enquanto um pequeno país insular, precisa cuidar, cada vez mais e melhor, do seu território. E é muito importante também que, nesta abordagem de reestruturação da DP, possamos também assumir compromissos em matéria da proteção da natureza e do clima", prosseguiu.

Conforme a Lusa, o ministro disse que nos próximos tempos o Governo vai comunicar a sua estratégia e os montantes que irá colocar à discussão, quer com os parceiros multilaterais, como também com os parceiros bilaterais.

"Vai ser um pacote muito exigente e que deverá contar com o concurso e a abertura dos nossos parceiros", pediu Olavo Correia, para quem há abertura para se negociar, sublinhando que é "um caminho que tem de ser percorrido e que leva tempo".

O workshop teve por objetivo a assistência técnica aos governos de Cabo Verde, Guiné-Bissau, Mauritânia e Senegal no apoio à identificação de acordos de reestruturação da dívida, sobretudo do endividamento público externo, que foi agravado por causa da pandemia da covid-19.

Foi organizado pela Associação de Defesa para o Ambiente e Desenvolvimento (ADAD), em parceria com o Ministério das Finanças e o Instituto Internacional para o Ambiente e Desenvolvimento (IIED-sigla em inglês).

De acordo com dados do relatório síntese da execução orçamental até março, o ’stock’ da dívida pública de Cabo Verde aumentou em março para mais de 264.477 milhões de escudos (2.393 milhões de euros), equivalente a 146,4% do Produto Interno Bruto (PIB) projetado para 2021, como consequência da pandemia.

Até março, a dívida pública contraída internamente valia o equivalente a 43,5% do PIB cabo-verdiano (31,8% em março de 2020), enquanto a dívida externa valia 102,9% (84% em 2020).

Há algum tempo que Cabo Verde pretende converter a sua dívida pública em investimentos estratégicos no arquipélago, tendo por exemplo Portugal manifestado essa disponibilidade negocial, conclui a fonte deste jornal.

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