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Cabo Verde quer corpo ativo de investigadores na saúde para potenciar setor 08 Novembro 2022

Cabo Verde pretende criar um corpo ativo de investigadores para saúde e vai rever a legislação da área, para investigação biomédica e realização de ensaios clínicos, anunciou hoje a ministra da Saúde, Filomena Gonçalves.

Cabo Verde quer corpo ativo de investigadores na saúde para potenciar setor

“É de olhos postos no futuro que o Governo de Cabo Verde tem como um dos seus principais propósitos criar o corpo ativo de investigadores, com vista a fomentar o desenvolvimento de políticas de saúde baseadas na nossa veracidade, por forma a ultrapassarmos os inúmeros desafios com os quais a humanidade é confrontada e Cabo Verde não foge à regra”, afirmou Filomena Gonçalves, na abertura do 3.º Congresso Nacional de Investigação em Saúde, que decorre hoje na Praia.

“A investigação acarreta benefícios diversos para a melhoria da qualidade de vida das populações, com repercussões visíveis na eficácia dos cuidados de saúde e, principalmente, no seu quotidiano”, acrescentou a governante.

De acordo com Filomena Gonçalves, a investigação em saúde “é uma prioridade e o impacto desta prioridade repercute de forma muito positiva os processos de tomada de decisões, a identificação precisa dos grupos de risco e grupos-alvo para determinadas intervenções, a abordagem às doenças e, por exemplo, a efetividade associada a determinada intervenção”.

A investigação em saúde “alavanca o potencial desenvolvimento do complexo económico associado à saúde”, disse, referindo que “o Governo tem apostado numa visão para o desenvolvimento do setor da saúde, tendo em conta o contexto atual de constantes mudanças e de produção acelerada de conhecimentos”.

Para tanto, exemplificou, já foi criada a Agenda Nacional de Saúde, “com o intuito de sistematizar o processo investigativo e, assim, traçar as prioridades” para o setor.

“Um outro passo essencial para que se possa ter a investigação como marca indelével no nosso país deverá ser conseguido com a regulamentação do processo investigativo em Cabo Verde. Ora, para que tal se torne uma realidade, várias são as iniciativas legislativas em forja, nomeadamente o projeto de proposta de lei de investigação, a proposta de lei sobre a investigação biomédica em saúde, que visa a realização de ensaios clínicos que, por sua vez, permitem nortear o setor da investigação e a produção de conhecimentos fidedignos”, apontou.

Filomena Gonçalves, que assumiu as funções em 27 de outubro último, afirmou na sua intervenção que o Governo “aposta no setor da saúde de forma integrada e holística, com foco essencial na preservação da vida humana”.

“Qualquer reforma importante para alcançar o sucesso desejado e necessário há de ser precedida de documentos da análise, evidenciando o conhecimento existente que fundamenta as decisões, estabelecendo resultados esperados de forma objetiva e quantificada, determinando a forma a adotar para avaliar o impacto dessa reforma ou ainda ter beneficiado de aturado debate técnico e público alargado. A ausência destas linhas de referência compromete a monitorização e avaliação prospetiva e enfraquece a implementação com o eixo em comum”, alertou.

O 3.º Congresso Nacional de Investigação em Saúde, sob o lema “Investigação em Saúde e Segurança Sanitária”, decorre hoje e quarta-feira na Praia, promovido pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) cabo-verdiano e conta ainda com a participação de especialistas de Portugal, do Brasil e de Moçambique.

Focado na questão da segurança sanitária, o congresso será dividido em três ciclos, nomeadamente a “Diplomacia em Saúde e Segurança Sanitária”, “Ano da Segurança Sanitária: Resultados alcançados e perspetivas”, e o “Fortalecimento de Recursos Humanos e resposta a emergências”.

“Já se pensa mais a investigação em saúde em Cabo Verde, eu acredito que sim”, admitiu Maria da Luz Lima, presidente do INSP, em declarações aos jornalistas, reconhecendo o papel das universidades e o apoio público a este processo.

Para a responsável, “a investigação em saúde envolve sempre muito dinheiro” e muitas vezes “é feita em parceria com projetos também noutros países, é há entidades internacionais e nacionais também que apoiam a investigação em saúde”.

“Felizmente, agora, com a Secretaria de Estado do Ensino Superior, já se está a trabalhar no plano da ciência, há o projeto de aumentar o financiamento da investigação em saúde. Isso só nos reconforta a nós, investigadores da Saúde, a fazermos mais ainda pela saúde, porque acho que já há essa consciência de que a investigação é importante para as decisões, que as decisões sejam assertivas e promova realmente a melhoria dos indicadores da saúde em Cabo Verde”, concluiu a presidente do INSP.

A Semana com Lusa

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