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Cabo Verde quer discutir programa de reformas económicas estruturais com FMI 17 Mar�o 2022

O Governo cabo-verdiano pretende discutir com o Fundo Monetário Internacional (FMI) um novo programa de "reformas económicas estruturais" no arquipélago, indicou hoje fonte do executivo.

Cabo Verde quer discutir programa de reformas económicas estruturais com FMI

De acordo com o Governo liderado por Ulisses Correia e Silva, uma missão do FMI iniciou na quarta-feira o acompanhamento da economia cabo-verdiana, a qual vai decorrer até 24 de março, para, também, "traçar as principais linhas do novo programa".

"Esta missão tem por objetivo discutir sobre um novo programa de reformas económicas que o Governo de Cabo Verde quer negociar com o FMI", afirmou a mesma fonte governamental.

Acrescentou que "à semelhança do programa assinado em 2019" com o FMI — de apoio técnico, sem envelope financeiro -, "o Governo de Cabo Verde quer continuar a implementar importantes reformas estruturais, possibilitando um ambiente macroeconómico estável e favorável ao investimento, crescimento e sustentabilidade das finanças públicas".

"Além dos desafios já existentes, no momento, é necessário fazer uma avaliação do impacto da pandemia da covid-19 e da guerra na Ucrânia, na economia cabo-verdiana", sustentou igualmente, referindo que ao longo dos próximos dias serão apresentadas as discussões sobre as políticas monetária e orçamental, em relação aos resultados de 2021 e implicações para 2022.

O objetivo, refere o Governo, é a "preparação do país para a retoma, assente num crescimento sustentável": "Pelo que o suporte dos nossos parceiros de desenvolvimento tem sido importante, e é hoje ainda mais crucial para a implementação da agenda deste Governo".

O FMI concluiu em janeiro de 2021 o apoio técnico a Cabo Verde através do Instrumento de Coordenação de Políticas (PCI, na sigla em inglês), iniciado em 15 de julho de 2019 e que visou apoiar as reformas em curso no Estado, nomeadamente ao nível do sistema fiscal e privatizações, execução condicionado pela pandemia de covid-19.

Cabo Verde enfrenta uma profunda crise económica e financeira, decorrente da forte quebra na procura turística - setor que garante 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do arquipélago - desde março de 2020, devido à pandemia de covid-19.

O país registou em 2020 uma recessão económica histórica, equivalente a 14,8% do PIB. O Governo cabo-verdiano admite que a economia possa ter crescido 7,2% em 2021, impulsionada pela retoma da procura turística, e prevê 6% de crescimento em 2022.

Na terça-feira, o vice-primeiro-ministro de Cabo Verde, Olavo Correia, não afastou um cenário de um Orçamento Retificativo em 2022, devido aos impactos na escalada internacional dos preços após o conflito militar na Ucrânia, mas admitiu que ainda é cedo para uma decisão.

"O quadro é incerto, o quadro é volátil, o quadro é imprevisível. Estamos a acompanhar a evolução da economia internacional e o seu impacto na economia cabo-verdiana. Neste momento ainda não temos uma ideia sobre essa necessidade", afirmou Olavo Correia, que é também ministro das Finanças, questionado pela Lusa.

"Temos de continuar a avaliar os impactos sobre a economia cabo-verdiana, sobre os cidadãos cabo-verdianos, o impacto sobre a evolução na dinâmica de crescimento da economia internacional e só em função dessa avaliação, um pouco mais à frente, é que nós podemos tomar uma decisão", acrescentou, sobre um eventual Orçamento Retificativo em 2022, que a verificar-se repetiria o cenário de 2020 e 2021, então devido aos efeitos económicos e financeiros da pandemia de covid-19.

Olavo Correia vê agora as previsões económicas com mais cautela, face à conjuntura internacional de escalada de preços de energia e alimentos, provocada pela invasão da Ucrânia pela Rússia.

"Temos que estar atentos e todos os dias temos que rever os cenários. E em função dessa avaliação, dessa revisão, podemos depois tomar as medidas em relação ao Orçamento Retificativo ou não. Mas neste momento ainda não temos nenhuma decisão em relação a esta matéria", acrescentou.

A Semana com Lusa

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