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Cabo Verde reaproveita dessalinizadoras para responder à seca 19 Dezembro 2020

O Governo cabo-verdiano decidiu reaproveitar uma unidade de dessalinização, fora de serviço na ilha do Sal, devido à situação "crítica" no acesso a água para consumo doméstico e na agricultura irrigada na ilha de Santiago, devido à seca.

Cabo Verde reaproveita dessalinizadoras para responder à seca

A decisão consta de uma resolução do Conselho de Ministros, de 14 de Dezembro, à qual a Lusa teve acesso esta sexta-feira, 18, envolvendo uma unidade com capacidade para produzir 1.200 metros cúbicos de água potável por dia, propriedade da empresa pública ELECTRA e que será adquirida para ser colocada ao serviço da também estatal Águas de Santiago.

"Embora mitigada pelo efeito das chuvas caídas neste ano, a situação mantém-se crítica em todas as ilhas, designadamente em Santiago, com mais de 50% da população residente no país, onde, para além dos caudais de muitos furos atingiram o limite da sua exploração, regista-se o problema da qualidade de água que é abastecida", anuncia o Governo, citado pela Agência Lusa.

Na ilha de Santiago, os municípios mais afetados pela falta do mais precioso líquido, são Santa Catarina, São Salvador do Mundo, São Lourenço dos Órgãos, Tarrafal, São Miguel e São Domingos, "tradicionalmente servidos por água de origem subterrânea".

De salientar que a compra do equipamento à ELECTRA será feita por cerca de 56,8 milhões de escudos (515 mil euros) através do orçamento do programa estatal de mitigação e de resiliência à seca em Cabo Verde, permitirá garantir a "continuidade do abastecimento público de água", estando prevista operação idêntica para outro equipamento do género armazenado na ilha de São Vicente, atendendo à aposta no investimento em equipamentos de dessalinização, segundo escreve a nossa fonte.

Ainda, segundo o Governo cabo-verdiano declarou em Janeiro deste ano a situação de emergência hídrica, devido à seca acumulada nos últimos anos, admitindo neste período limitações temporárias ao consumo de água. A decisão foi então justificada com as "circunstâncias que o país enfrenta de extrema escassez de chuva" desde 2017, com impactos diretos na saúde, na agricultura e na economia.

"Considerando que os volumes precipitados não tiveram recuperação no volume de água armazenado nos principais reservatórios do país e que a disponibilidade de água nessas infraestruturas não foi satisfatória", justifica-se ainda no texto da resolução que declarou a emergência, citado pela Lusa.

Ainda, de acordo com a nossa fonte, no documento era referido, igualmente, que o nível da disponibilidade hídrica subterrânea estimado se encontra abaixo do valor indicativo praticado pelas Nações Unidas, o que coloca o país numa situação de emergência hídrica e que a irregularidade da precipitação em Cabo Verde é agravada com situações frequentes de escassez hídrica para o consumo humano e uso na agricultura, o que justifica a necessidade urgente de adoção de medidas que permitam uma gestão adequada da água.

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