ACTUALIDADE

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Parlamento: Cabo Verde recebeu 650 mil turistas até novembro - ministro 09 Dezembro 2022

Cabo Verde recebeu este ano, até novembro, cerca de 650 mil turistas, aproximando-se do recorde de 819 mil em 2019, antes da pandemia, segundo dados apresentados hoje no parlamento pelo ministro do Turismo e dos Transportes.

Parlamento: Cabo Verde recebeu 650 mil turistas até novembro - ministro

Durante o debate sobre “Os transportes e a conectividade entre as ilhas de Cabo Verde”, que encerra hoje, na Assembleia Nacional, a primeira sessão parlamentar ordinária de dezembro, tema proposto pelo Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), o ministro Carlos Santos sublinhou a recuperação que se regista na procura turística e dos transportes aéreos e marítimos, garantindo que a política governamental no setor é para manter.

A recuperação do turismo nos últimos 11 meses, com o registo de 650 mil turistas entrados no país, vem trazer mais procura ao setor [dos transportes], fazendo viabilizar o modelo implementado e fazendo jus àquilo que o modelo prevê. Ou seja, o Estado subsidia no início para mais tarde o setor ganhar autonomia, designadamente no marítimo”, afirmou.

O governante acrescentou que o operador aéreo doméstico TICV, em que o Estado detém 30% do capital social e a operar sob a marca de origem angolana BestFly, “já transportou aproximadamente 220 mil passageiros” este ano e a companhia aérea estatal TACV, que opera os voos internacionais, “cerca de 30 mil” passageiros.

O registo de transportes de passageiros em 2022 já augura uma recuperação sustentada, que deverá ter continuidade em 2023”, apontou Carlos Santos.

O turismo representa 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e do emprego em Cabo Verde, tendo registado um recorde superior a 819 mil turistas em 2019, procura que caiu mais de 60% em 2020 e 2021, devido às restrições impostas para conter a pandemia de covid-19.

Já o PAICV, pela voz do líder parlamentar, João Baptista Pereira, criticou o modelo adotado para os transportes em Cabo Verde e voltou a visar, entre outros assuntos, a “privatização desastrosa, feita por ajuste direto e cujas consequências para o erário público e para o bolso dos cabo-verdianos são ainda incalculáveis” da TACV, em 2019, a investidores islandeses, renacionalizada em julho de 2021 após as consequências da pandemia de covid-19.

O MpD [Movimento para a Democracia, no poder desde 2016] assumiu compromissos perentórios perante os cabo-verdianos. Deve, agora, assumir as suas responsabilidades. Porém, não pode, sem consequências, ignorar que Cabo Verde é um arquipélago multi-insular, um mercado diminuto, com uma extensa e dispersa diáspora, dependente do turismo e do exterior. O MpD não pode ignorar que, nesta fase do seu desenvolvimento, Cabo Verde precisa de soluções de transportes para as ilhas, mas também para o mundo, em especial para as nossas comunidades emigradas”, afirmou o deputado.

O ministro Carlos Santos acrescentou neste debate que os transportes marítimos constituem “outra peça do ecossistema de transportes” que está em construção em Cabo Verde e que o diagnóstico do setor foi feito “tendo como elementos-chave os vários acidentes ocorridos antes de 2016, havendo a convicção de que a unificação do mercado das nove ilhas será inevitavelmente o caminho a seguir”.

Tendo em conta que o fluxo de passageiros e cargas interilhas não viabiliza financeiramente a operação de múltiplos operadores marítimos existentes no mercado”, a opção foi a concessão, em 2019, dos transportes marítimos de carga e passageiros ao operador CV Interilhas (liderada pela portuguesa Transinsular), para “garantir a conectividade marítima, assente num figurino de indemnização compensatória que cobre alguns custos associados à operação”, acrescentou.

Iniciado o processo em 2019, os cabo-verdianos passaram a ter previsibilidade, regularidade, pontualidade e solução de transportes a preços convidativos, situação inexistente até o ano 2019 (…) Todavia, também a covid-19, veio dificultar a viabilidade desta solução. Mas, não obstante isso, é de registar que a CV Interilhas já transportou cerca de 453 mil pessoas neste período, nestes primeiros 11 meses, quase o correspondente à população do arquipélago”, revelou Carlos Santos.

Paralelamente, disse ainda, as “infraestruturas portuárias estão sendo adequadas, tendo como objetivo a criação de condições para que a operação dos navios continue a acontecer com facilidade e comodidade desejadas”. Igualmente, a construção de cinco terminais de passageiros “é um compromisso desta legislatura, sendo que o terminal da ilha do Maio está em processo mais avançado”.

Os ganhos nos transportes são claros e evidentes. Os números não deixam mentir. Os reajustes necessários terão que ser feitos (…) mas uma opção de política definida em 2019 manter se á, pois, à semelhança de outras regiões arquipelágicas é essa a estratégia adotada e com resultados positivos na conectividade marítima”, garantiu Carlos Santos.

O futuro nos transportes traduz-se na manutenção da política traçada na legislatura passada, fazendo obviamente os ajustes que já referimos. Nos transportes aéreos o Governo criará as condições para se prossiga com a determinação do projeto de fazer Cabo Verde um dos ‘hubs’ do continente africano”, acrescentou o ministro.

Disse ainda que nesta matéria, o Governo “consolidará o processo de reestruturação, redimensionamento da atividade internacional da TACV” e que nos transportes domésticos “criará as condições para a adoção do mecanismo de obrigação de serviço, que tem determinadas linhas consideradas estruturalmente deficitárias”. A Semana com Lusa

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project