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Cabo Verde registou em 2016 um aumento da necessidade de financiamento da economia em 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) 02 Novembro 2018

A necessidade de financiamento da economia do País situou-se em 2,7% do PIB, em 2016, o que representa um aumento de 3.071 milhões de escudos, em termos absolutos, face ao ano anterior.

Cabo Verde registou em 2016 um aumento da necessidade de financiamento da economia em 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB)

De acordo com o relatório, recentemente divulgado pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), o sector institucional das Famílias cabo-verdianas apresentou uma variação negativa da respectiva capacidade de financiamento, em 50,8%, no ano 2016. O saldo das sociedades não financeiras agravou-se, fixando-se em -14,3% do Produto Interno Bruto (PIB), nesse mesmo período, o que representa um aumento 0,6 p.p., em relação ao ano anterior.

O mesmo documento aponta que a capacidade de financiamento das sociedades financeiras teve uma redução de 0,6% em 2016. Já a capacidade de financiamento no sector da administração pública, no período em análise, cifrou-se em 5.456 milhões de escudos, representando cerca de 3,3% do PIB.

Em relação a Capacidade/Necessidade Líquida de Financiamento, em 2016, com excepção das sociedades não financeiras, todos os outros sectores tiveram capacidade de financiamento. Porém, o total da economia (S1) apresenta uma necessidade de financiamento de 4.429 milhões de escudos neste mesmo ano.

Economia Total (S.1)

Os dados das contas nacionais definitivas mostram que em 2016, o PIB cresceu 4,5% em termos nominais (corrente). Em relação à estrutura do Valor Acrescentado Bruto (VAB), por Sector Institucional, concluiu-se que os sectores das sociedades não financeiras (S.11) e as famílias (S.14) têm o maior peso no Valor Acrescentado Bruto (VAB) total da economia nacional, representando 42,5% e 35,5%, respectivamente.

Sociedades Não Financeiras (S.11)

Conforme o estudo realizado pelo INE, o sector das Sociedades não Financeiras representa 50,5%, do total da produção nacional, o que permite dizer que neste sector houve um aumento de 8,6% na produção, face ao ano anterior. Enquanto que no consumo Intermédio, o aumento foi menos acentuado (7,5%), contribuindo desta forma, para um crescimento robusto do VAB de 10,2%. “As Remunerações dos Empregados cresceram 15,0%, em comparação com ano anterior, e quanto à Necessidade de Financiamento, passou de 21.777 milhões de escudos em 2015, para 23.684 milhões de escudos, em 2016, o que representa um aumento de 8,8%”, refere a nossa fonte.

Sociedades Financeiras (S.12)

Ainda de acordo com o INE, a produção do sector das Sociedades Financeiras representa 3,9% do total nacional. Alguns factores, como a aceleração da actividade bancária e o aumento dos prémios das seguradoras, fizeram com que a produção desse sector aumentasse 6,0% em 2016. “O peso do sector na estrutura do VAB nacional representa 4,5%., passando de 6.138 milhões de escudos em 2015 para 6.439 milhões de escudos em 2016, o que define um crescimento de 4,9%. Apesar de ter aumentado o seu peso na estrutura do VAB nacional, a capacidade de financiamento do sector diminuiu em 0,6% face ao ano anterior”.

Administração Pública (S.13)

Comparativamente ao ano anterior, o documento revela que a produção total retraiu cerca de 3,0%, provocado fundamentalmente pela queda da produção mercantil na ordem dos 17,8%. Este fenómeno deve-se à diminuição da produção mercantil da Administração Central (S.131) e Local (S.132) em torno de 18,9%, e 7,2% respectivamente. A produção não mercantil registou um crescimento não significativo, cerca de 1,0%, tendo como principal impulsionador o INPS (S.133) que contribuiu com 11,6%.

O sector em análise representa em 2016 cerca de 12,0% do total da produção nacional, menos 9 p.p. que o ano precedente. O VAB do sector aumentou apenas 0,3%, quando comparado com o ano anterior (2,8%), e representa cerca de 17,5% do total do VAB. Em 2016, o sector da Administração Pública representa 15,2% do PIB, menos 7 p.p. que o ano anterior.

Neste âmbito, deve-se ressaltar que a despesa do consumo final da Administração Pública teve variação negativa no ano em apreço (4,2%), justificada essencialmente, pela diminuição da despesa do consumo final, na Administração Local (S.132), 8,9%. “Esta queda teve impacto nas despesas do consumo final efectivo, que reduziu para 17,2 % em 2016”.

Com base na análise dos dados do Relatório, o rendimento disponível bruto do sector representou 24,0% do rendimento disponível bruto total (0,9 p.p) superior ao ano precedente. Já a taxa de poupança passou de 27,5% em 2015, para 36,0% em 2016, o que representa um aumento de 8,4 p.p. A capacidade de financiamento no sector da administração pública em 2016 cifrou-se em 5.456 milhões de escudos, o que representa cerca de 3,3% do PIB. Importa frisar que a formação bruta de capital fixo registou uma diminuição de 9,4% em 2016, sendo a administração local, (S.132), a maior responsável pela queda (-26,7%).

Note-se ainda, que as variações do património líquido, resultantes da poupança e de transferências de capital, cresceram cerca de 28,4%. Um aumento significativo, mesmo assim, inferior ao do ano anterior (54,5%). O rendimento disponível bruto das famílias representa 63,1% do rendimento disponível bruto. “Baixou em relação ao ano anterior (2015), que representava 68,0%, em consequência do aumento de 1,2 p.p da despesa do consumo final das famílias. A taxa da poupança das famílias é de 10,8% do rendimento disponível, e o sector teve uma diminuição de 50,8% de capacidade de financiamento em relação ao ano anterior, passando de 11.554 milhões de escudos em 2015 para 5.679 milhões de escudos em 2016”, aponta.

Exportação e importação (S.2)

Segundo o INE, Cabo Verde registou em 2016, um crescimento de 2,9%, no que se refere às exportações de bens e serviço, contra 14,3% verificado em 2015, enquanto as importações registaram um aumento de 5,9% no mesmo período, contra os 0,2% observados em 2015. “O saldo externo de bens e serviços passou de 22.617 para 26.082 milhões de escudos, o que representou um aumento de 15,3% para o resto do mundo.

De salientar, que o saldo das operações correntes com o exterior registou um aumento, passando de 3.242 em 2015, para 5.692 milhões de escudos em 2016, o que representa um crescimento de 75,6%. Este crescimento resulta do aumento do saldo externo de bens e serviços (3.465 milhões de escudos), dos rendimentos de propriedade (799 milhões de escudos), e do aumento das transferências correntes do resto do mundo para a economia nacional (2.633 milhões de escudos) sobretudo, das remessas dos emigrantes. Tudo isso, conjugado com o aumento das transferências de capital do resto do mundo para a economia nacional, que passou de 1.884 em 2015 para 1.263 milhões de escudos em 2016, resultou num aumento da capacidade de financiamento do resto do mundo, que passou de 1.358 em 2015 para 4.429 milhões de escudos em 2016.

Recorde-se, que os sectores institucionais são grupos de unidades capazes de possuir bens e activos, assumir compromissos, participar de actividades económicas e negociar com outras unidades por iniciativa própria, devido à sua autonomia de decisão.

Para efeitos do Sistema de Contas Nacionais, e com base nas informações disponíveis e na importância económica dos sectores institucionais, as unidades institucionais residentes no território económico são agrupadas em cinco sectores institucionais, nomeadamente Sociedades não financeiras (S.11), Sociedades financeiras (S.12), Administrações públicas, incluindo fundos de segurança social (S.13), Famílias, incluindo empresas individuais (S.14), Instituições sem fins lucrativos ao serviço das famílias (S.15).

Os cinco sectores institucionais constituem o conjunto da economia nacional (S.1), sendo cada um também, dividido em subsectores. De sublinhar ainda, que no sector único, denominado “Resto do Mundo” (S.2), foram inseridas todas as operações envolvendo residentes e não residentes.

Celso Lobo

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