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Cabo Verde vai celebrar “triunfo” de Amílcar Cabral 50 anos após a morte 05 Dezembro 2022

A Fundação Amílcar Cabral vai celebrar em 20 de janeiro o “triunfo” do patrono 50 anos após a sua morte, num colóquio em Assomada cujas discussões vão ser à volta do engenheiro agrónomo, disse hoje fonte oficial.

Cabo Verde vai celebrar “triunfo” de Amílcar Cabral 50 anos após a morte

“Este ano, ao refletir sobre isso, afinal, nós o que estamos a celebrar é o triunfo pós-morte de Amílcar Cabral e não o seu desaparecimento. O triunfo pós-morte e a continuação da vida”, explicou à agência Lusa, na cidade da Praia, Pedro Pires, presidente da Fundação Amílcar Cabral (FAC), referindo que sempre teve dificuldade em encontrar argumento para celebrar a data do assassínio do patrono da fundação.

“Fui obrigado muitas vezes a buscar razões para celebrar a data, porque na minha perspetiva é muito complicado celebrar a morte, o fim da vida, quando temos de celebrar o início da vida. Vivi durante muito tempo esse drama, esse dilema, mas a contragosto e obrigado a encontrar os argumentos e justificações”, explicou.

O também antigo Presidente cabo-verdiano (2001 a 2011) e antigo combatente da liberdade da pátria disse, por isso, que o mais importante é que Amílcar Cabral triunfou depois da morte, o que lhe dá uma nova dimensão, uma nova projeção, fazendo com que o 20 de janeiro seja também o Dia dos Heróis nacionais em Cabo Verde e na Guiné-Bissau.

“É nesta perspetiva que podemos falar do triunfo pós-morte na projeção atual da figura”, insistiu Pedro Pires, que privou com Cabral, informando que o evento vai decorrer na cidade de Assomada, em Santa Catarina de Santiago, concelho onde viveram os familiares e de onde pelo menos o pai era natural.

“Achamos que o mais interessante era que o ato tivesse lugar na Assomada, na Universidade de Santiago, estamos a trabalhar nesse sentido”, referiu o presidente da fundação, de 88 anos, destacando a parceria com esse estabelecimento de ensino sedeado no interior na maior ilha do arquipélago.

Apesar de considerar que o evento terá “pouca intervenção”, Pedro Pires considerou que “seria bom” que conseguisse servir de mote para a remodelação da casa onde Cabral viveu parte da infância, em Achada Falcão, cujos atuais donos estão a exagerar no preço e que está a degradar-se, adiando um museu e um centro de investigação.

Pedro Pires disse que os 50 anos da morte de Amílcar Cabral (em 20 de janeiro de 1973) estão a suscitar “muito interesse” de instituições fora de Cabo Verde e da Guiné-Bissau, nomeadamente de três universidades do Senegal e do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

“Mas acredito que haja mais, e nós, do nosso lado, verificamos que tínhamos que também organizar um ato importante que fosse digno desse tempo, dos 50 anos”, salientou o também antigo primeiro-ministro de Cabo Verde (1975 a 1991), que vai convidar vários oradores para fazerem uma reflexão sobre a figura, o papel, o lugar e a projeção, e mais centrado no agrónomo, não fosse Santa Catarina um concelho predominantemente agrícola.

O cinquentenário, deu conta ainda, enquadra-se nas comemorações do centenário do nascimento de Amílcar Cabral, que vai ter o seu ponto alto em 12 de setembro de 2024, tendo já sido realizadas várias atividades no país, nomeadamente um colóquio internacional em dezembro e a publicação de uma revista dedicada ao líder histórico.

Mas muitas outras atividades vão ser realizadas nos próximos tempos, sendo que já em 07 de dezembro arranca uma exposição de três dias, na cidade do Mindelo, ilha de São Vicente, de filmes, livros, fotografias.

Em 10 do mesmo mês haverá a atribuição a título póstumo do grau de doutor Honoris Causa por parte da Universidade do Mindelo, num ato que deverá contar com a presença do Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa.

Filho de Juvenal Cabral e Iva Pinhel Évora, o líder histórico nasceu na Guiné-Bissau em 12 de setembro de 1924, partiu com oito anos, acompanhando a sua família, para Cabo Verde, onde viveu parte da infância e adolescência, antes de ir estudar Agronomia em Portugal.

Posteriormente, foi fundador do então Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que deu lugar ao Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), líder dos movimentos independentistas nos dois países, e foi assassinado em 20 de janeiro de 1973, em Conacri, aos 49 anos.

A Semana com Lusa

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