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Cabo Verde vai utilizar águas residuais tratadas para agricultura 06 Agosto 2019

Um projeto piloto da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) vai permitir a utilização de águas residuais, após tratamento, para agricultura em Cabo Verde, como forma de mitigar os efeitos da seca.

Cabo Verde vai utilizar águas residuais tratadas para agricultura

De acordo com informação prestada à Lusa por fonte do escritório da FAO em Cabo Verde, este projeto-piloto tem componentes no Mindelo, ilha de São Vicente, e no Tarrafal, ilha de Santiago, irrigando dois hectares de terrenos, e um investimento global de 390 mil dólares, correspondente a 350 mil euros.

Conforme escreve a Agência Lusa, no Mindelo, o projeto de utilização de águas residuais tratadas sem risco na agricultura está a ser implementado na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Ribeira de Vinha, permitindo tratar 50 dos 1.500 metros cúbicos diariamente produzidos naquela central. “O projeto-piloto de tratamento de águas residuais funcionará com recurso a energias renováveis, com a instalação de painéis solares”.

“O objetivo é utilizar a água tratada na produção de culturas hortícolas sem qualquer risco de contaminação, abrangendo 11 beneficiários diretamente e, indiretamente, toda a população rural, que terá disponível uma nova tecnologia de tratamento de águas usadas", anuncia a FAO, garantindo que a água produzida pelo projeto-piloto será segura e respeitará os parâmetros estabelecidos pela OMS, que financia este projeto, cuja entrada em funcionamento acontece até final do ano.

"Cabo Verde possui um clima tropical seco, as precipitações são fracas ou nulas, os recursos hídricos são limitados e as secas são cada vez mais frequentes e/ou cíclicas, pelo que as águas residuais tratadas são recursos que podem ajudar a minimizar os problemas de carência de água para a agricultura e a floresta", sublinha a FAO, citado pela Lusa.

Refira-se que na ETAR de Ribeira de Vinha este projeto vai abranger sete das 90 parcelas dos 30 hectares agrícolas de “Txon d’Holanda”, área que foi desenvolvida também com a contribuição de outros projetos financiados pela FAO.

“Numa perspetiva integrada, será ainda garantida a capacitação de agricultores e técnicos das Câmaras Municipais e do Ministério do Ambiente nos dois concelhos, sendo ainda utilizado para demonstrar o aproveitamento com qualidade das águas residuais, com recurso a novas tecnologias”.

Recorde-se que Cabo Verde enfrenta desde 2017 um período de seca e este projeto prevê ainda a capacitação de agricultores e técnicos das Câmaras Municipais e do Ministério de Agricultura e Ambiente dos dois concelhos.

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