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Cabo verde celebra hoje 110 anos da revolta de Ribeirão Manuel 13 Fevereiro 2020

Faz-se hoje 110 anos da revolta Dos rendeiros de Ribeirão Manuel, conhecida como “Homi faka Mudjer Matxadu Mininus tudu ta djunta pedra”, liderada por Nha Ana da Veiga.

Cabo verde celebra hoje 110 anos da revolta de Ribeirão Manuel

Efetivamente a 12 de Fevereiro de 1910, os rendeiros da localidade recusaram-se a pagar as rendas aos Morgados, passando a colher da terra, sem licença, as sementes de Purgueira. Os terrenos da região eram parte do monopólio exclusivo dos morgados, que os administravam com mão de ferro, massacrando com rendas elevadas os que tinham sob sua responsabilidade o amanho das terras e sujeitando-os à mais vil exploração.

Pesem os anos de seca, com deficitárias colheitas, os morgados, manifestando insensibilidade e malvadez, decidiram agravar as condições de arrendamento, provocando a revolta dos rendeiros e fazendo ecoar em Santa Catarina e no interior de Santiago o grito de guerra que ficou para a posteridade: "Omi faka, mudjer matxadu, mininus tudu ta djunta pedra" (Homem faca, mulher machado, meninos a juntarem pedras).

Segundo os historiadores, a revolta, propriamente dita, teve como epicentro o morgado Aníbal Reis Borges que apresentara queixa às autoridades contra um grupo de mulheres, alegadamente que teriam invadido a propriedade de sua irmã, para roubar purgueira, planta utilizada para a produção de sabão e óleo e que, em Ribeirão Manuel, tinha o valor de moeda.

A repressão não se fez esperar e as autoridades investiram contra as mulheres acusadas, amarrando-as e provocando o protesto e indignação dos populares. À cabeça dos protestos, ter-se-á perfilado o padre António Duarte da Graça, e o gesto do clérigo deu corpo à revolta comandada pela destemida Nha Ana da Veiga.
Assinalando a data histórica, a Câmara Municipal de Santa Catarina, ao mesmo tempo que restaurou o monumento da Revolta de Ribeirão Manuel, rebatizou o largo da localidade com o nome de Praça Nha Ana da Veiga, em homenagem à heroína da luta dos rendeiros contra a exploração, pela liberdade e a justiça.

Na próxima sexta-feira, 14, pelas 17h00, um ato público assinala a abertura da praça requalificada e o restauro do monumento, que contará com a presença do Ministro de Turismo e Transportes, Carlos Santos e do presidente Beto Alves. Um ato que ao mesmo tempo, exalta a figura e o exemplo de Nha Ana da Veiga, uma heroína de Santa Catarina, de Santiago e de Cabo Verde.

Segundo António Alte Pinho, A conhecida “Praça de Ribeirão Manuel” passa, agora, a chamar-se Praça Nha Ana da Veiga, numa singela e justa homenagem à líder da revolta, que teve lugar em 12 de fevereiro de 1910, opondo os rendeiros aos “morgados”, recusando-se a pagar rendas e passando a colher, sem licença, as sementes de purgueira.

Ainda de acordo com António Pinho, O financiamento da requalificação da praça, orçada em nove milhões, setecentos e dezanove mil, seiscentos e noventa e nove escudos (9.719.699,00 ECV) é da responsabilidade do Fundo de Sustentabilidade Social para o Turismo.

Já o financiamento do restauro do Monumento da Revolta de Ribeirão Manuel, orçado em um milhão e quinhentos mil escudos (1.500.000,00 ECV) é da responsabilidade do Programa de Requalificação, Reabilitação e Acessibilidade.

De acordo com a mesma fonte, Para além do monumento, a nova Praça Nha Ana da Veiga conta com uma área verde, bancos, um quiosque para venda de produtos tradicionais e informação turística, um fitness park e um parque infantil.

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